segunda-feira, 25 de julho de 2011

Questionamento



Maconha  fonte: google
          Natural e sempre morando no estado do Espírito Santo, vi-me obrigado a tomar uma drástica decisão quando recebi a notícia de que havia conseguido uma vaga na Universidade Federal do Amazonas. Decidi por não perder esta oportunidade que estava a bater em minha porta, fiz as malas e fui para Manaus, praticamente atravessando o país, deixando para traz mãe, irmãos, e muitos amigos e colegas. Como não conhecia a cidade e nem ninguém que ali morava, candidatei-me a uma vaga na Casa do Estudante Universitário (CEU-UFAM), lá instalado, tomei consciência de onde eu realmente estava, uma casa com 60 pessoas, 2 ou 3 em cada quarto, de todas as regiões do país e alguns africanos e portugueses. Imaginei, “será uma experiência extraordinária.”
          Meu pensamento estava correto, mas não tinha imaginado o quanto extraordinário seria. Todos são maiores de idade, boa parte já com mais de 20 anos, estão tendo uma oportunidade de ouro nas mãos, estudo de qualidade, moradia e alimentação..., o que mais poderiam querer? Não faço idéia da resposta a esta pergunta, apenas estou constatando que menos da metade aproveita de fato esta oportunidade para estudar, e o pior, os outros, além de não aproveitarem as oportunidades que lhes são dadas, ocupam suas vidas em atrapalhar os colegas com tv a cabo (estudante carente) ligada quase que 24 horas, som alto, transformando os corredores da casa num verdadeiro depósito de lixo, não fazendo as atividades que lhes cabe como moradores em especial a limpeza semanal, e já não bastasse, usam drogas abertamente (em especial os estrangeiros) e tentam tornar usuários os novos moradores, afinal, quanto maior o número de usuários, mais poderes eles têm na casa.
          Imaginei um grupo de pessoas maduras, responsáveis, com discursos científicos, ao chegar, me deparo com crianças carentes, imaturas e irresponsáveis. Estou a indagar o que devo fazer, por um lado, posso adotar a atitude de meus colegas, fingir que não estou vendo nada, deixá-los nesta vida e cuidar apenas da minha, suportando o que fazem e como vivem aqui dentro, afinal isto não é segredo, os professores sabem, a procomum (Pro - reitoria de Assuntos Comunitários) sabe e tudo continua nisso mesmo, então, por que eu arriscaria minha vida em algo que quem tem poder para isso não o faz?
          Em contra partida, paro por um instante e fico imaginando alguns filmes baseados em fatos reais onde alguém, movido por seus ideais, “cutucam” algumas coisas que não deveriam, colocando sua própria vida em risco, não sei até onde isso é lógico, mas quando escrevo aqui, faço um discurso, ou simplesmente converso com alguém e me posiciono totalmente contra estas coisas, faço críticas ferrenhas aos governos, às empresas, estou tomando um partido e, ao me omitir num momento como este, estou compactuando com o mal, compactuando para que ele sobreviva e se fortaleça, estou sendo tão sujo e baixo quanto os políticos que veemente critico, estou traindo o princípio em que mais acredito “que o mundo só será de fato um lugar melhor, quando cada um fizer o que for melhor para o bem comum, e não o que mais lhe convier”.
          -Vale apena uma vida individual e omissa?
          -A essência da vida, o amor, é ensinada a mais de 2000 anos, o que falta para aprendermos?
          -É compensador ver o ser humano se destruir e não fazer nem o que está ao meu alcance?
          -O que Deus queria, quando ele soprou ar para dentro de meus pulmões?
          Ou para os céticos.
          -Porque o universo conspirou para o meu nascimento, quando outras milhares de possibilidades eram possíveis, possibilidades estas que talvez até compactuassem com estas realidades?
          -Meu Deus, o que devo fazer?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nada como um dia após o outro.

"Estou velho Gandalf, estou me sentindo como manteiga fina espalhada num pedaço bem grande de pão."
             (Fala de Bilbo Bolseiro ao mago Gandalf no filme A Sociedade do Anel)

     Hoje, bem...manteiga num pedaço bem grande de pão não define de forma sensata como estou me sentindo de fato, diria que uma mistura insossa meio doce e amarga.
     Doce porque, ontem tive a coragem de fazer algo que até o presente momento havia feito apenas uma vez, e esta sensação é maravilhosa. Mesmo que não presencialmente, tive a coragem de dizer para um colega (da faculdade) o que sinto por ele, que passei o período todo o observando, tentando perceber se podia me aproximar mais, no entanto, isso não ficou claro, aproveitei o momento em que soube que ele e seu namorado haviam terminado, e me expus, bem...não posso descrever a reação dele, isso foi por meio eletrônico. Mas o simples fato de ter feito isso foi muito gratificante.
     Meio amargo porque, após a minha mensagem, ele ficou calado, não respondeu nada, simplesmente nada, nem um riso, e não há nada que maltrata mais que o silêncio. Esperei uns 20 minutos, tempo suficiente para duas pessoas que estavam trocando mensagens instantaneamente, após esse tempo, enviei outra:
     -Espero que isso não atrapalhe nossa amizade. Boa noite.
     Cuja resposta foi instantânea:
     -Não, não se preocupe. Boa noite.
     Pra quem sabe ler, kkkk, não precisa falar mais nada.

Homenagem

Estava a observar,
Rastros no céu,
Indícios de um sentimento,
Comprimido em meu peito,
Ki não se cala.

Algo tímido e inocente,
Ligeiramente ardente.
Espectro de uma paixão,
X de uma questão.
Ardente e encantador,
Num toque de amor.
Depois do furação,
Repleto de paixão,
Estacionar no porto do amor.

                (17/07/2011)

terça-feira, 12 de julho de 2011

UMA PRESENÇA CONSTANTE EM MINHA VIDA


fonte: http://luzdivinanoseucoracao.blogspot.com/
                Há muito tempo sei que não estou sozinho e, apesar de não cumprir mais com os atos sociais, sei e sinto sua presença ao meu lado onde quer que eu vá. Não sei se foi escolha minha ou Tua, rezo todas as noites para que não permitas jamais que eu lhe abandone, e no íntimo, também peço que perdoe minhas falhas e não me renegue como filho que sou.
                Desde os meus 15 anos, quando sai de casa e fui para o seminário com o consentimento de minha família, sinto que tens estado cada vez mais próximo, isso foi no ano 2000. No dia 23 de junho deste mesmo ano, estávamos em retiro num grande seminário numa floresta em Juiz de Fora, Minas Gerais, durante a tarde, após o almoço, numa breve caminhada que fazia em uma das trilhas encontrei com um dos colegas e amigos seminaristas, infelizmente não me recordo seu nome, o que não é de se estranhar no meu caso, o fato é que, do nada, ou melhor, por certa inspiração ele tocou num assunto um tanto delicado comigo, fez o seguinte comentário:
                -Rapaz, já pensou na distância que estamos de casa? E se de repente alguém liga para o seminário dando a notícia que alguém da minha família faleceu? Nem sei o que faria, acho que me desesperaria!
                Nossa conversa durou algumas horas, até outro colega nos encontrar e mudar de assunto. Eu falei do meu ponto de vista, do que eu pensava, e disse que numa situação como a descrita, Deus jamais o abandonaria, ele teria a força necessária para enfrentar a situação. Neste mesmo dia já tarde da noite, antes de ir deitar, fui até a capela para fazer minha oração pessoal, não sei bem quanto tempo fiquei ali diante do santíssimo em silêncio, mas foram algumas horas, simplesmente não sei explicar, apenas tinha vontade de permanecer ali, me sentia bem estando ali naquele momento, apenas eu, pouca luz, muito silêncio.
                No dia seguinte, dia 24 de junho de 2000, as 8:30 da manhã, me é dado a notícia que meu pai havia falecido aquela madrugada.
                Anos depois, saio de casa uma segunda vez, desta vez indo para a capital, em busca de uma oportunidade de estudo, nunca quis parar no ensino médio precário deste país, e mais uma vez, tudo parece corroborar para um bem maior.
                As dificuldades são muitas, alguém com uma nota de Enem menor que a minha ganha uma bolsa do prouni para a qual eu também havia me candidatado, deve ter sido filho de algum político podre capixaba (coisa que não falta no Espírito Santo infelizmente), algum tempo depois, perco outra bolsa porque estudei um ano em Minas Gerais, ou seja, não fui adestrado como a corja política capixaba desejava, mas não desisto, com muito sacrifício, pagava meu aluguel e consegui me matricular no curso de ciência da computação numa faculdade de Vitória, numa faculdade que não deu a mínima se eu queria de fato me formar ou não, queria unicamente meu dinheiro todo início de mês. Levantava-me as 6 da manhã todos os dias para estar no trabalho as 8, saia as 18 para estar na faculdade as 18:45, chegava em casa as 23, tomava um banho, comia qualquer coisa e estudava até as 01:00, para as 6 começar tudo de novo, mas como diz o ditado pular, “Deus ajuda quem sedo madruga”, tive força suficiente para agüentar isso até conquistar minha vaga na Universidade Federal do Amazonas.
Casa do Estudante Universitário da UFAM
                Atravessar o país? Não, é loucura demais. Mais uma vez, tudo colaborou para que eu fizesse isso. Bem, diante dos fatos e do total apoio da família, lancei-me nesta nova aventura, ao chegar, foi difícil achar uma kit net, mais uma vez, conheci uma família maravilhosa que muito me ajudou e para completar o panorama geral, há poucas semanas saiu o resultado do processo de seleção da CEU-UFAM (Casa do Estudante Universitário da UFAM), pois é, acreditem se quiser, mas consegui uma vaga, agora me pergunto, foi por acaso que não consegui uma bolsa lá no Espírito Santo?
                Acredito que tudo contribui para o bem daqueles que têm um sonho, que acreditam nesse sonho e que fazem o que podem para torná-lo real. Tenho uma família fantástica que sempre me apoiou e me incentivou em minhas buscas, nos momentos de angustia, sempre tive uma luz a me guiar (um amigo, um desconhecido, um encontro inesperado que me mostrava o que eu precisava para continuar), e hoje estou aqui em Manaus que me acolheu de braços abertos, fazendo ciência da computação em período integral e morando na Casa do Estudante Universitário.
                Senhor, Deus, Javé, Jeová, Alá, ou qualquer nome que o homem ouse lhe invocar, obrigado por estar sempre ao meu lado e por vezes, me levar em teu colo paterno.
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