quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 16)

Dando Voz a Um Sentimento

04 de junho de 2004

           Comecei o encontro relatando um pouco a cerca de como estava me sentindo naqueles últimos dias, um tanto triste, chateado, abatido, sem motivação para os novos dias que tinha. Contei também que estava um pouco chateado com o que estava acontecendo em casa, a família estava meio que dividida, minha mãe, minha irmã e eu estávamos animados a começar o cultivo de uma horta como fonte de renda, mas meu irmão não, ele insistia em continuar com o café e financiar uma irrigação. Durante a conversa, ela me fez chegar a conclusão que, em primeiro lugar, em vez de cuidarmos de uma monocultura, café ou horta, podemos fazer os dois, ele com o café enquanto nós cuidamos da horta, um ajudando o outro quando necessário, em segundo lugar, o fato dele inicialmente ser contra a implantação da horta pode estar muito ligado a memória do pai e a tradição familiar e, agora, por ser o homem mais velho da casa, talvez sinta-se contrariado com a idéia vindo da mãe e do irmão mais novo, pode demorar um pouco, mas ele vai até ajudar, é só questão de tempo, até ele amadurecer e digerir a idéia.

            Num segundo momento, comuniquei a Irmã Elizabete a dificuldade que estava tendo para integrar este processo que estava vivendo com o ambiente onde estou vivendo, com quem me viu nascer, me viu crescer, me viu brincar, escutou minhas mensagens na igreja da comunidade, com os vizinhos, em fim, com todos aqueles que tem uma idéia formada quando escutam o nome Wagner, mas uma idéia quase que pelo avesso.

           A dificuldade que sentia, a tristeza que chegava até mim quando escutava os amigos, vizinhos, comentarem de algum outro amigo que possuía um jeito afeminado, um dos vizinhos, ao tentar defendê-lo, alegando não haver motivos para isso, acabou por ter questionado sua masculinidade. Num outro momento, lembrando o assunto homossexualidade, um outro diz que a maior tristeza de uma família é ter um filho “veado”, isso bateu como uma pedra em mim.

            -E você não disse nada? Perguntou-me Irmã Elizabete. Se posicione, eles tem as idéias deles, você sabe os motivos, portanto, abra a mente deles, não é necessário que você se exponha, só que você mostre sua opinião, de voz ao sentimento que surge na hora, não peque com o pecado da omissão contra você mesmo.

            Sobre isso conversamos bastante tempo e, já mais no final, comuniquei-lhe que, aos poucos, estou chegando a conclusão que eu, inconscientemente, usei o seminário como fuga ou estava tentando responder a vontade de alguém. Perguntou-me como cheguei a esta conclusão, disse que a cada dia, a cada encontro e a cada nova descoberta, eu sentia menos vontade de voltar para o seminário ano que vem.

            Segundo Irmã Elizabete, isso é bom, é sinal de crescimento e amadurecimento, é sinal de que agora eu estou vivendo o meu eu, os meus desejos, as minhas vontades e anseios, é bom perceber e ficar atento a estes sentimentos que vão surgindo,

            Quando terminou a conversa, já era quase hora do almoço, almoçamos juntos e, durante a tarde, embarcamos num ônibus para minha cidade, ela passou um final de semana lá em casa, foi conhecer minha família, o ambiente em que eu morava, pescou, andou de canoa, coisas que nunca havia feito e, como já era de se imaginar, conversou muito com minha mãe, esta perguntou sobre mim, Irmã Elizabete, sem dizer nada do que não devia, levou o assunto a frente, perguntou sobre ela, sobre o marido dela (meu pai), sobre a família em geral e seu relacionamento.

           Minha mãe ficou impressionada com irmão Elizabete, disse que foi como se já se conhecessem a muito tempo, e Irmã Elizabete, logo que chegou lá em casa, disse que minha mãe possui uma luz positiva especial, uma força não muito comum e que ela foi nossa iluminação com o pai que tivemos.

            O próximo encontro já ficou agendado, será dia 25 próximo.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo amadurecimento.
    Vejo o quão importante Irmã Elizabete é em sua vida.
    Parabéns novamente.

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  2. Até por sua linda iniciativa
    de estar escrevendo sua vida
    já demonstra um alto grau de
    amadurecimento... Amei teu post!
    Carinhos a ti... Bjsss

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  3. Olá menino
    Estou acompanhando atentamente sua história. Sei perfeitamente o que se sente, quando se está em roda de amigos, e eles têm uma visão preconceituosa sobre o homossexualismo. Passei por isso.
    Bjux

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  4. Oi , garoto !

    Concordo com a Flor da Vida .
    Seu amadurecimento está demonstrado aqui , em
    suas linhas tão bem escritas ...

    Deixo Bjo Grande.

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  5. Espero os próximos capitulos...sempre! Abçs!

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  6. Oiee vim aki especialmente pra te parabenizar pelos 10 mais votados do blogbooks, tô torcendo aki pra vc ganhar.
    Hj tem poema lá no blog.
    www.vanessamonique.blogspot.com
    :*

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