domingo, 26 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 18)

A Sociedade ainda não está PREPARADA!

15 de julho de 2004



            Irmão Elizabete começou perguntando-me sobre minha irmã, como ela estava, se eu havia conseguido conversar com ela, disse que estava muito preocupado com ela, havia tentado conversar sim com ela, mas ela estava como que trancada, não aceitava, e num breve momento que consegui que ela dissesse algo, não foi muita animador, ela disse ao ter vontade de fazer nada, de sair, passear, ir a alguma festa com amigos da escola, cantar, pintar, nada, disse que não sentia vontade de fazer nada, daí concluí porque ela sempre passava tanto tempo arrumando a casa todos os dias ao chegar da escola. Irmã Elizabete comentou que ela ainda precisa encontrar o caminho dela e que em alguns momentos, por mais que queiramos, não há como ajudar, o ajudar é não ajudar, para que a própria pessoa possa encontrar seu caminho, caminhar com as próprias pernas, questionar a si próprio.
            Daí voltei a ser o foco, falei sobre mim, sobre meus planos para o futuro, que penso em fazer uma faculdade, de filosofia talvez, sou apaixonado pelo saber, pelo conhecimento e este curso me parece mito interessante, me especializar na área, talvez montar uma ONG em apoio aos homossexuais pois as passeatas que acontecem hoje não ajudam muito no que diz respeito a conscientização, constantemente ouso frases do tipo “olha lá o carnaval das bichas”, e isso espanta até mesmo muitos gays que se encontram no estágio de amadurecimento que eu me encontrava quando comecei este trabalho, confuso, com vergonha, medo, sem ajuda!
            Irmã Elizabete concordou com minha opinião e disse que neste estágio do acompanhamento é muito bom ter planos, idéias, sonhos para o futuro que nos dão força e nos fazem atingir nossos objetivos.
            Depois lhe fiz uma pergunta, uma pergunta um tanto longa, disse que, no ano anterior, ainda no seminário, quando estudamos um texto sobre a homossexualidade, com Padre Pedro, lhe perguntaram se o gay pode ou não comungar, a que ele respondeu que deveria comungar apenas aqueles que vivem só, pois a igreja aconselha a estas pessoas viver a castidade.
            Então perguntei a Irmã Elizabete o porque disso visto que, quando um heterossexual sente uma vontade muito grande de morar junto, ter uma pessoa ao lado para abraçar, sorrir, conversar, dividir a vida, ela se casa, quando uma pessoa se sente chamada ao sacerdócio, vai para o seminário, se quer ser médico, cursa medicina, no fundo, tudo é para satisfazer um desejo, as vezes desejo que não sabemos explicar com palavras, mas é para satisfazer um desejo, para se realizar, então, se somos todos humanos transbordando em vontades e desejos, porque um homossexual não poderia comungar ao tentar ser feliz como qualquer outra pessoa, afinal, todas as pessoas tem direito de realizar seus desejos, ai vão me dizer a famosa e célebre fazer, “mas não devemos ser escravos de nossos desejos”, à qual retruco perguntando, mas todos os héteros não o são quando se casam? Quando escolhem medicina ao invés de pedagogia? Direito e não matemática? O sacerdócio ao invés de uma carreira profissional tradicional? Ai dirão, mas sacerdócio é uma vocação dada por Deus, sim, concordo, e quem disse que as outras não são? Da mesma forma que apenas alguns são chamados ao sacerdócio, com exceção daqueles movidos pela ganância, também apenas alguns são chamados à medicina, ao direito, à psicologia, e assim por diante, no fundo tudo por causa de um grande desejo ao qual não se sabe explicar, ai o chamam de vocação, e ai, o que fazer?
            Toda a resposta de Irmã Elizabete pode ser resumida em apenas uma frase, disse que concorda, que não somos culpados por isso e muito menos obrigados a viver sozinhos a vida toda, mas o maior problema é que a sociedade ainda não está preparada para algo deste tipo.
            Ao que retruquei:
            -A igreja tem medo de aceitar estas pessoas e perder muitos fiéis, mas também tem medo de tocar no assunto por algum motivo.



HOJE:
            É claro que compreendo o que Irmã Elizabete quis dizer ao afirmar que a sociedade não está preparada, mas..., como eu não perco uma oportunidade de criticar a sociedade, seus padrões hipócritas, sua hipocrisia e falsidade, aqui vou eu do novo.
            Saiamos da inércia e coloquemos nossos neurônios para funcionar por um instante, pensemos um pouco:
·        A sociedade estava preparada para ter o cristianismo como religião oficial do império no ano 303 dada por Constantino I (ou Flavius Valerius Constantinus, imperador romano) reprimindo e perseguindo com morte as demais denominações religiosas da época?
·        A sociedade estava preparada para, por volta do ano 400 d.c. ver uma brilhante matemática e astrônoma de nome Hipácia (Hipátia) ser esquartejada em praça pública e a biblioteca de Alexandria, a qual foi a última zeladora, ser destruída e incendiada por Cirio e seus seguidores cristãos, hoje conhecido como São Cirilo, santo e doutor da igreja?
·        A sociedade estava preparada para a Santa Inquisição da idade média a qual despensa qualquer comentário?
·        A sociedade estava preparada para tantas guerras já acontecidas, em especial a 1° e a 2° grande guerras mundiais e a última forjada pelos Estados Unidos em busca do controle do petróleo? Para uma visão mais geral de todas as guerras já acontecidas, ver final do post.
·        A sociedade estava preparada para ver uma dissidência INTERNA nos Estados Unidos resultar no 11 de setembro, que já havia sido tentado na detonação de um caminhão de explosivos 10 anos antes no estacionamento do mesmo edifício?
·        A sociedade estava preparada para receber Adolf Hitler (Alemanha 1933-1945), Benito Mussolini (Itália 1922-1945),  Augusto Pinochet (Chile 1973-1990) e tantos outros?
·        A sociedade estava preparada para as ditaduras militares, inclusive no Brasil?
·        A sociedade estava preparada para ver as milhares de crianças mortas e famintas que todas estas guerras e ditaduras geraram?

Mas não estão preparados para verem dois homens ou duas mulheres se beijarem, adotarem um filho sem lar, montarem uma família, terem uma relação estável. A sociedade, em meio a uma cultura de guerra, não está preparada para o amor!

Histórico dos momentos em que a falta de razão dominou o ser humano, e este não foi capaz de dialogar:

Grécia Antiga
1250 - 1240 a.C.: Guerra de Tróia
499 - 479 a.C.: Guerras Médicas
431 - 404 a.C.: Guerra do Peloponeso
334 - 323 a.C.: Campanhas de Alexandre, o Grande

Roma Antiga
343 - 290 a.C.: Guerras Samnitas contra Samnium
264 - 146 a.C.: Guerras Púnicas contra Cartago
264 - 241 a.C.: Primeira Guerra Púnica
218 - 202 a.C.: Segunda Guerra Púnica
149 - 146 a.C.: Terceira Guerra Púnica
215 - 168: Guerras Macedónicas
91 - 88 a.C.: Guerra Social contra os aliados latinos
82 - 81 a.C.: Guerra civil de Sulla
58 - 50 a.C.: Guerras da Gália, conquista da Gália por Júlio César
49 - 45 a.C.: Guerra civil de Júlio César
43: Invasão romana das ilhas britânicas
220 - 265: Guerra dos Três Reinos na China
291 - 306: Guerra dos Oito Príncipes na China

Idade Média e Renascimento
711 - 718: Conquista árabe da Espanha
1066: Conquista Normanda de Inglaterra
1096 - 1291: Cruzadas
1096 - 1099: Primeira Cruzada
1147 - 1149: Segunda Cruzada
1187 - 1191: Terceira Cruzada
1202 - 1204: Quarta Cruzada
1209 - 1229: Cruzada contra os Cátaros
1217 - 1221: Quinta Cruzada
1228: Sexta Cruzada
1248 - 1254: Sétima Cruzada
1270: Oitava Cruzada
1271 - 1291: Nona Cruzada
1236 - 1237: Invasão Mongol da Bulgária do Volga
1223 - 1240: Invasão Mongol da Rússia
1241: Invasão mongol da Europa
1262 - 1267: Guerra Berke-Hulagu
1139 - 1153: A Anarquia, guerra civil inglesa
1152 - 1453: Guerra da Barba
1296 – 1328 / 1332 – 1333: Guerra da Independência Escocesa
1296 - 1328: Primeira Guerra da Independência Escocesa
1332 - 1333: Segunda Guerra da Independência Escocesa
1337 - 1453: Guerra dos Cem Anos
1341 - 1364: Guerra da Sucessão da Bretanha
1385 - 1399: Guerra Tokhtamysh-Tamerlão
1420 - 1436: Guerras Hussitas
1454 - 1466: Guerra dos Treze Anos, entre a Polónia e os Cavaleiros Teutônicos
1455 - 1485: Guerra das Duas Rosas

Séculos XVI a Século XIX
1521 - 1523: Guerra da Libertação da Suécia
1562 - 1598: Guerras da Religião em França ou Guerras Huguenotes
1568 - 1648: Guerra dos Oitenta Anos (independência da Holanda)
1588 - 1654: Guerra Luso-Neerlandesa
1618 - 1648: Guerra dos Trinta Anos
1639 - 1652: Guerra Civil Inglesa (Oliver Cromwell)
1648 - 1653: Fronda em França
1648 - 1654: Rebelião de Chmielnicki
1654 - 1656: Guerra Russo-Polaca
1655 - 1656: Guerra Sueco-Brandenburg
1655 - 1660: Guerra Sueco-Polaca
1656 - 1658: Guerra Russo-Sueca
1656 - 1660: Guerra Sueco-Dinamarquesa
1657 - 1660: Guerra Sueco-Holandesa
1658 - 1667: Guerra Russo-Polaca
1701 - 1714: Guerra da Sucessão Espanhola
1733 - 1738: Guerra de Sucessão da Polônia
1740 - 1748: Guerra da Sucessão da Áustria
1754 - 1777: Guerras Guaraníticas
1756 - 1763: Guerra dos Sete Anos
1775 - 1783: Guerra da Independência dos Estados Unidos
1803 - 1815: Guerras Napoleónicas
1807 - 1814: Guerra Peninsular
1809 - 1825: Guerra da Independência da Bolívia
1810 - 1816: Guerra da Independência da Argentina
1810 - 1821: Guerra da Independência do México
1817 - 1818: Guerra da Independência do Chile
1822 - 1823: Guerra da Independência do Brasil
1825 - 1828: Guerra da Cisplatina
1828 – 1834: Guerras Liberais em Portugal
1835 - 1845: Guerra dos Farrapos
1839 - 1860: Guerras do ópio
1839 - 1842: Primeira Guerra do Ópio;
1856 - 1860: Segunda Guerra do Ópio
1848 - 1866: Guerras de Unificação da Itália
1848 - 1849: Primeira Guerra de Independência Italiana
1859: Segunda Guerra de Independência Italiana ou Guerra Franco-Austríaca ou de Guerra Austro-Piemontesa
1866: Terceira Guerra de Independência Italiana (Também chamada de Guerra das Sete Semanas, Guerra Austro-prussiana ou Guerra Civil Alemã).
1851 - 1852: Guerra contra Oribe e Rosas
1853 - 1856: Guerra da Criméia
1861 - 1865: Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão
1864: Guerra contra Aguirre
1864 - 1870: Guerra da Tríplice Aliança ou Guerra do Paraguai
1868 - 1869 : Guerra Boshin
1870 - 1871: Guerra franco-prussiana
1879: Guerra Anglo-Zulu
1879: 1881: Guerra do Pacífico ou do Salitre
1880 - 1881: Primeira Guerra dos Bôeres
1894 - 1895: Guerra Sino-Japonesa
1899 - 1902: Segunda Guerra dos Bôeres na África do Sul
1900 - 1901: Guerra dos Boxers na China

Século XX
1904 - 1905: Guerra Russo-Japonesa
1912 - 1913: Guerra dos Bálcãs
1914 - 1918: Primeira Guerra Mundial
1918 - 1922: Guerra Civil Russa
1932 - 1935: Guerra do Chaco
1936 - 1939: Guerra Civil Espanhola
1939 - 1945: Segunda Guerra Mundial
1940 - 1989: Guerra Fria
1946 - 1954: Primeira Guerra da Indochina
1947: Guerra Indo-Paquistanesa ou I Guerra Caxemira
1964 - 2005: Guerra Civil na Colômbia
1965: Guerra Indo-Paquistanesa ou II Guerra Caxemira
1950 - 1953: Guerra da Coréia
1954 - 1962: Guerra da Argélia
1961 - 1975: Guerras Coloniais
1961 - 1975: Em Angola:Guerra da Libertação de Angola
1964 - 1975: Em Moçambique: Luta Armada de Libertação Nacional
1964 - 1973: Guerra do Vietname
1966 - 1988: Guerra da Independência da Namíbia
1967 - 1967: Guerra dos Seis Dias
1969: Guerra do futebol (Honduras contra El Salvador);
1971: Guerra de Bangladesch
1973 - 1973: Guerra do Yom Kippur
1975 - 1998: Guerra da Independência de Timor
1979 - 1989: Ocupação soviética do Afeganistão
1980 - 1988: Guerra Irã-Iraque
1982 - 1982: Guerra das Malvinas (Falklands)
1990 - 1991: Guerra do Golfo
1991 - 2001: Guerra dos Balcãs (Guerras da ex-Iugoslávia)
1994 - 1997: I Guerra da Chechênia
1996 - 1997: Guerra Civil do Zaire
1999 : II Guerra da Chechênia

Século XXI
2001 - 2002: Invasão do Afeganistão
2003 - Guerra do Iraque
2006 - 2006: Ofensiva militar de Israel no Líbano

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Deu Uma Louca na Bicha!


            Olá meus queridos, como estou com saudade, nossa, vocês nem imaginam a correria que está aqui! Como havia mencionado no último post, tenho um bafão pra contar para vocês, bem, talvez bafão seja demais, talvez para alguns de vocês seja algo bem simples e corriqueiro, parte da vida, mas não para mim, alguém que se negou por 18 anos, alguém timidasso (isso existi?).
            Bem, tudo começou a mais ou menos uns 2 meses atrás quando minha mãe, ao me visitar, disse que eu estava magrinho demais, rsrsrs, imagine só, que eu tinha que entrar numa academia, bem..., depois dessa!
            Assim fiz, (e quero ficar bonitão, será que consigo?), olha, até eu mesmo estou assustado com o que estou comendo, credo! Mas o fato é, já nas primeiras semanas comecei a conhecer o território onde estava me enfiando, tudo bem que enfiar não é comigo né! Mas as vezes todos temos de fazer, rsrsrs. Logo já comecei a marcar os rostinhos, umas olhadelas as vezes não arranca pedaço, minha sorte que não tem muitos gatos na hora em eu costumo malhar, nossa, não há nada que me desconcentre mais!
            No entanto, e como sempre tem de ter um no entanto, há um que ..., melhor omitir esta parte, resumindo, está me tirando o sono, o cara é uma pintura, nunca gostei de barba e continuo não gostando, mas a dele, vixixixi, sempre bem feitinha, baixinha, cheinha, castanho claro, aiai.
            Depois de alguns dias, depois de algumas olhadelas, comecei a observar que o comportamento dele era bem semelhante ao meu, digo, ele sempre ficava na dele, calado, concentrado, aparentemente tímido, ai vocês já sabem né, nosso cérebro faz isso que é uma beleza, já comecei a enxergar coisas:
            -Será que ele é gay?
            -E se não for, aiai que desperdício.
            Bem, o fato é que por algumas vezes nossos olhares começaram a se encontrar, hummm, isso não vai prestar! E agora, será que ele está demonstrando algum interesse ou está incomodado? Aaaa, mas eu não fui tão descarado assim!
            E continuou assim por algumas semanas, as vezes ele vinha fazer algum exercício perto de mim, eu torcendo pra ele puxar assunto, seria a prova que eu precisava, mas ele nunca fez isso, eu então, mais fácil fazer o que fazem os avestruzes (enfiar a cabeça num buraco) que chegar em alguém!
            Certo dia ele estava do outro lado do salão da academia, eu termino minha série, e olho para o lado, adivinha, ele estava olhando para mim, a duas semanas atrás, ele termina a série dele, sai de onde ele estava em direção ao bebedouro, detalha, para isso passa na minha frente, ao passar olha em meus olhos, credo, eu quase caí claro.
            -Não é possível, depois dessa, ele deve ser gay. Que incomodo seria este?
            As coisas foram esquentando, na segunda-feira da semana passada, terminamos no mesmo horário pela primeira vez, ele sai e alguns metros atrás eu torcendo para ele olhar para trás ou falar algo, nada, ele desceu as escadas, e foi, confesso que quase fiquei olhando-o virar a esquina rsrsrs.
            Na terça-feira, quando cheguei à academia, ele não estava lá, fiz meu alongamento, os 15 minutinhos de esteira, neste momento ele chegou, meu deus, aquela coisa se alongando a 4 metros na minha frente, e braço para cima, braço para traz, levanta a perna, estica, dedos da mão na ponta do tênis, olha não vá ler errado, é tênis! Me concentrei novamente, bem... tentei, e fui fazer minha série de exercícios, terminei e fui fazer o alongamento para voltar para casa, adivinha quem foi se alongar também? Pois é, será que ele estava precisando de ajuda?
            Foi como se ele estivesse marcando o tempo, a hora que eu me levantei para sair, ele saiu na minha frente, aí, essa mente maldita entrou em trabalho:
            -Ai ai, hoje tem, será que apanho? Se não for no olho ta de bom tamanho!
            Bem, saí bem atrás dele, o que eu podia fazer?
            Tive a impressão, e ai não confirmo, que ao começar a descer as escadas ele olhou para traz, mas como nestas horas vemos de tudo, não sei até onde isso foi verdade, sei apenas que desci logo atrás dele, no meio da escada estávamos sozinhos, ninguém por perto, a língua coçou de vontade falar algo mas do jeito que sou desastrado pra cantadas, sei lá, vai que sai algo do tipo “ta quente hoje né!”, é melhor ficar quieto, descemos, ele parou aguardando um carro passar, nesta hora a língua chegou a balbuciar palavrinhas em minha boca, quase saiu, mas o carro passou e ele atravessou.
            Imaginem os palavrões mais feios que vocês podem imaginar, pois é, me chamei de todos eles nesta terça-feira:
            -Seu idiota, cach..., veado medroso, as..., d..., de..., pu..., o que poderia acontecer? Você ouvir um sim caso você perguntasse se ele era gay ou tomar uma porrada! Medroso.
            Olha, fiquei possuído nesse dia, irreconhecível, jurei pra mim mesmo que o próximo dia em que saíssemos juntos eu ia falar algo, nem que fosse “ ta quente hoje né!”.
            Na quarta-feira eu tenho aula pela manhã, então vou a academia a noite, ai já sabia que não iria vê-lo, na quinta fui no horário normal, de manhã, ai foi ele que não apareceu, e eu já não estava agüentando mais, não por não saber se ele era ou não, mas por essa falta de coragem desgraçada.
            Na sexta-feira, cheguei e fui fazer o alongamento, ele chegou em seguida, gelei na hora claro, tentei me manter normal, fiz os exercícios e fui me alongar para sair, ele também foi, neste momento acho que nem o sol brilha tanto quanto meus olhos brilharam, é hoje pensei, hoje eu apanho de verdade! Fiquei observando ele e, quando vi que ele estava terminando fui, saí na frente dele, passei na roleta e ao começar a descer as escadas olhei para traz, um dos instrutores o havia abordado no meio do caminho. Ai invoquei todos os demônios do inferno, claro, tantos dias pra conversar, tantos momentos diferentes, vai ser naquela hora, justo naquele momento? Ninguém merece.
            Terminei de descer as escadas cuspindo fogo pelas ventas, estava emputecido..., a hora que desci o último degrau, parei:
            -Eu não vou embora! Ele já está saindo, eu vou esperá-lo aqui.
            Não demorou nem um minuto, e ele desceu, estávamos de frente para a rua, carros, barulho, ninguém prestando atenção, virei-me em direção a ele e disse:
            -Queria te fazer uma pergunta. Claro que não foi fácil assim, por pouco não saí correndo.
            -Pois não. Foi a resposta que ouvi num tom bem firme, ai pensei como era ruim não ter um plano hospitalar, mas, como quem está na chuva é para se molhar, agora é ir até o fim.
            Tudo foi tão rápido, ele olhava para frente, tentei, gaguejando alguma coisa, continuar:
            -É..., eu..., eu não sei se você percebeu (claro que ele já havia percebido), mas eu tenho olhado para você algumas vezes e..., eu..., eu gostaria de saber se é recíproco ou não.
            Meu deus que alívio depois que terminei a frase, parecia que eu estava com 100 quilos nas costas.
            Ele abaixou a cabeça, deu aquele sorriso que só ele tem e disse:
            -Não..., não é. Disse de forma bem calma, fiquei surpreso, olha, se tivesse meu plano nem precisaria dele, rsrsrs.
            Eu, apenas balbuciei um ok e fui saindo, no entanto, acho que devo ter mudado tanto de cor, roxo, azul, amarelo, rosa chiclete, que devo tê-lo assustado, quando já ia saindo, ele continuou:
            -Mas faço o mesmo curso que você. Você faz ciência da computação né?
            -Sim, faço, onde você faz? Nem acredito que consegui dizer isto!
            -Na verdade acabei de me formar, fiz na UFES (Universidade federal do Espírito Santo).
            -Legal. Foi o que saiu, parece que eu já havia gasto minha cota de palavras daquele dia. Ai ele se despediu.
            -Falou, até mais.
            Mais um pouco e eu ia para casa virando cambalhotas e plantando bananeiras, mesmo ele tendo dito não, vocês meus caros amigos blogueiros leitores não fazem idéia da felicidade que eu estava sentindo, por ter vencido, ter me vencido, ter vencido mais um de meus tantos medos.
            Olha, foi mesmo loucura, quando me lembro disso começo a rir sozinho.
            Depois disso acho que eu o assustei, esta semana não temos nos encontrado não, exceto por ontem (terça-feira) que, ele chegou quando eu já estava me alongando para ir para casa, ai nem deu pra trocarmos olhares, estávamos distantes, bem, o tempo é o melhor conselheiro para algumas coisas, e eu como bom discípulo do amor (aquele que insiste em não enxergar a verdade) ainda estou com a pulga atrás da orelha, pra falar a verdade um zoológico inteiro, estou me perguntando, porque ele me diria que fazemos o mesmo curso?

sábado, 18 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 17)

A Alegria de Um AMOR!

025 de junho de 2004
fotos google

            Estava super animado para este encontro e, como já esperava, foi um encontro maravilhoso.

            - Como estás? Começou Irmã Elizabete, cuja resposta foi simples e direta:

            - Muito bem, muito alegre, feliz comigo mesmo, é como se realmente agora eu estivesse conseguindo me aceitar como homossexual, é uma sensação maravilhosa de bem estar, de pás, de tranqüilidade que já duram por quase um mês, isso é incrível.

            Neste momento, a alegria foi tamanha, a emoção tão forte, que quase chorei, meus olhos se encheram de lágrimas, vendo isso, esta experiência maravilhosa que eu estava passando, Irmã Elizabete também se emocionou, quase chorou, ficou com os olhos todos brilhantes.

            - E porque isso te emociona tanto? Ela prosseguiu.

Ao que respondi:

            - É maravilhosa esta sensação de bem estar, de paz, de ser amado, sensação que nunca havia sentido até então. Até algum tempo atrás, eu me preocupava muito com a opinião dos outros, com meu cabelo, se estava bem penteado (isso, é claro, se cabelo rebelde fica bem penteado rsrsrs), com a roupa que estava usando, os movimentos que fazia, hoje? Pouco me importa o que pensam, o que pensam da roupa que uso, dos movimentos que faço, do meu timbre de vós, digo com a maior certeza do mundo que não há nada melhor que ser eu mesmo, seja onde for, com quem for, eu sou assim e não é por causa dos outros que vou me esconder ou me odiar.

            Ela me explicou que existem nos seres humanos alguma características como a sensibilidade, o cuidado, o amor, o carinho, que aparecem cm maior acentuação nas mulheres, mas também os homens possuem uma pitada estas qualidades, e outras como tomada de decisão, autoritarismo, sentir-se chefe, objetivo, que aparecem com maior acentuação nos homens, no entanto, também as mulheres possuem um leve e delicado toque destas características, ou seja, cada ser humano, homem ou mulher, é uma mistura de todas estas qualidades que, por determinação da natureza, em alguns se desenvolvem mais umas, em outros, outras.
            Num segundo momento da conversa, conversamos um pouco sobre minha família, pois algumas semanas antes, Irmã Elizabete havia no feito uma visita. Disse que gostou muito, se divertiu bastante e perguntou-me como estava meu relacionamento com eles:

            - Bem, com minha mãe, tudo muito bem, ela está um pouco preocupada comigo, mas nada muito sério, só quer o meu bem. Com meu irmão, desde que comecei este trabalho, notei muita diferença, ele está menos machista, mais acessível e tolerante, está mais interessado até na beleza das plantas da casa que cuido com tanto zelo e até já pintou um pequeno quadro em uma de suas camisetas com a tinta de tecido que eu estava usando. O que estava sendo mais complicado para mim, é em relação a minha irmã, eu a vejo como se ela estivesse passando por uma grande dor, ela tem 17 anos, chega do colégio, faz o serviço da casa e fica sempre no canto dela, não fala nada, não fala besteiras, todos falam besteiras uma hora ou outra, praticamente não sorri, é como se ela estivesse fechada para o mundo, e quando perguntamos se está bem, se está acontecendo algo, ela apenas responde que está tudo bem.

            Irmã Elizabete disse que durante o final de semana que esteve com minha família, realmente achou ela muito calada, meio arredia, comentou que, pelo que conhece sobre meu pai, ela é a mais parecida com ela. De fato concordei, afinal, quando meu pai estava bem ela era bem calado, se tinha algo o perturbando, era mais calado ainda.

            Conversamos mais um pouco sobre o assunto e encerramos o encontro, continuaríamos na próxima quinzena.

           

            Meus queridos amigos blogueiros, como os admiro, por quem são, mas principalmente por terem me aturado este tempo todo! rsrsrs. Mas falta pouco, minha história já está chegando ao fim. Não claro que não, jamais abandonarei vocês meus queridos, continuarei com o blog, como aprendi aqui, meu deus! Apenas será com postagens diferentes, do dia-a-dia. Falando em dia-a-dia, tenho um bafão (rsrsrs) pra contar para vocês, mas para não estender, deixa para outro dia, dá um post completo! Beijos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ternura e Intimidade entre os 10 mais votados no Blogbooks em sua categoria

IIIIIIUUUUUUUUPPPPPPPPP..........................................!


glitters


Meus queridos amigos leitores, é com imensa satisfação que venho agradecer o carinho, a dedicação, e o incentivo de todos vocês e comunicar que o Ternura e Intimidade está entre os 10 blogs mais votados em sua categoria no concurso Blogbooks.

Um grande beijo no coração de todos e mais uma vez o meu muito obrigado pelo carinho e pelos votos recebidos.


Agora vamos aguardar o resultado final previsto para o dia 24 deste mês!

IIIIIIUUUUUPIPIPIPIPIP.....................!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 16)

Dando Voz a Um Sentimento

04 de junho de 2004

           Comecei o encontro relatando um pouco a cerca de como estava me sentindo naqueles últimos dias, um tanto triste, chateado, abatido, sem motivação para os novos dias que tinha. Contei também que estava um pouco chateado com o que estava acontecendo em casa, a família estava meio que dividida, minha mãe, minha irmã e eu estávamos animados a começar o cultivo de uma horta como fonte de renda, mas meu irmão não, ele insistia em continuar com o café e financiar uma irrigação. Durante a conversa, ela me fez chegar a conclusão que, em primeiro lugar, em vez de cuidarmos de uma monocultura, café ou horta, podemos fazer os dois, ele com o café enquanto nós cuidamos da horta, um ajudando o outro quando necessário, em segundo lugar, o fato dele inicialmente ser contra a implantação da horta pode estar muito ligado a memória do pai e a tradição familiar e, agora, por ser o homem mais velho da casa, talvez sinta-se contrariado com a idéia vindo da mãe e do irmão mais novo, pode demorar um pouco, mas ele vai até ajudar, é só questão de tempo, até ele amadurecer e digerir a idéia.

            Num segundo momento, comuniquei a Irmã Elizabete a dificuldade que estava tendo para integrar este processo que estava vivendo com o ambiente onde estou vivendo, com quem me viu nascer, me viu crescer, me viu brincar, escutou minhas mensagens na igreja da comunidade, com os vizinhos, em fim, com todos aqueles que tem uma idéia formada quando escutam o nome Wagner, mas uma idéia quase que pelo avesso.

           A dificuldade que sentia, a tristeza que chegava até mim quando escutava os amigos, vizinhos, comentarem de algum outro amigo que possuía um jeito afeminado, um dos vizinhos, ao tentar defendê-lo, alegando não haver motivos para isso, acabou por ter questionado sua masculinidade. Num outro momento, lembrando o assunto homossexualidade, um outro diz que a maior tristeza de uma família é ter um filho “veado”, isso bateu como uma pedra em mim.

            -E você não disse nada? Perguntou-me Irmã Elizabete. Se posicione, eles tem as idéias deles, você sabe os motivos, portanto, abra a mente deles, não é necessário que você se exponha, só que você mostre sua opinião, de voz ao sentimento que surge na hora, não peque com o pecado da omissão contra você mesmo.

            Sobre isso conversamos bastante tempo e, já mais no final, comuniquei-lhe que, aos poucos, estou chegando a conclusão que eu, inconscientemente, usei o seminário como fuga ou estava tentando responder a vontade de alguém. Perguntou-me como cheguei a esta conclusão, disse que a cada dia, a cada encontro e a cada nova descoberta, eu sentia menos vontade de voltar para o seminário ano que vem.

            Segundo Irmã Elizabete, isso é bom, é sinal de crescimento e amadurecimento, é sinal de que agora eu estou vivendo o meu eu, os meus desejos, as minhas vontades e anseios, é bom perceber e ficar atento a estes sentimentos que vão surgindo,

            Quando terminou a conversa, já era quase hora do almoço, almoçamos juntos e, durante a tarde, embarcamos num ônibus para minha cidade, ela passou um final de semana lá em casa, foi conhecer minha família, o ambiente em que eu morava, pescou, andou de canoa, coisas que nunca havia feito e, como já era de se imaginar, conversou muito com minha mãe, esta perguntou sobre mim, Irmã Elizabete, sem dizer nada do que não devia, levou o assunto a frente, perguntou sobre ela, sobre o marido dela (meu pai), sobre a família em geral e seu relacionamento.

           Minha mãe ficou impressionada com irmão Elizabete, disse que foi como se já se conhecessem a muito tempo, e Irmã Elizabete, logo que chegou lá em casa, disse que minha mãe possui uma luz positiva especial, uma força não muito comum e que ela foi nossa iluminação com o pai que tivemos.

            O próximo encontro já ficou agendado, será dia 25 próximo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu Segundo Selo


Gente, o tempo virou de vez, vejam só, em duas semanas, dois selinhos, uauuuu. Quero agradecer muito o carinho que tenho recebido, não apenas nos selinhos, mas de todos os que visitam o meu blog, se identificam com algo, e deixam seus comentários. Digo que estou aprendendo não apenas a utilizar novas ferramentas, mas, mais ainda, estou aprendendo muito a como ser um ser humano melhor.

            Bem, deixemos de blábláblá, como diz meu querido e amado amigo Três Egos, do blog tresegos.blospot.com que me deu mais este selo, e vamos ao que interessa.
            Existe apenas uma regra, indicar 10 blogs para o mesmo selo. Há em minha lista muito mais que 10 que leio sempre que poço e que indicaria, mas como a regra diz “10”, indicarei 10 dentre os que ainda não indiquei no selinho anterior, vamos lá.











terça-feira, 7 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 15)

Uma Descontraente Conversa

07 de maio de 2004

            Este encontro com Irmã Elizabete, que ocorreu no seminário, foi muito bom, tranqüilo, descontraente, uma verdadeira conversa entre amigos.


            Este encontro foi basicamente formado de questionamentos e comentários. De início, perguntei-lhe sobre um comentário que havia feito na conversa passada, se eu queria continuar ou se já estava bom, disse que fiquei meio confuso com a pergunta, pois pensei que, como já havia dito anteriormente, houvesse planos para trabalharmos boa parte do ano, e ela confirmou, disse que não se lembrava de ter perguntado isso, mas se disse, foi por descuido, que estaremos sim ocupados o ano todo.

           Talvez ela não tenha esquecido, talvez ela apenas tenha ficado assustada com o tamanho do meu preconceito, com a forma como terminou o encontro passado.

            Outra pergunta que havia me feito no encontro passado era se, onde moro tenho algum amigo, eu respondi que não, amigos não, apenas colegas, hoje pedi para modificar a resposta, sim, ao menos um amigo eu tenho, um em quem eu possa confiar e que confia em mim, ela sorriu e comentou:

            -Como é bom termos um amigo no qual possamos confiar.

            Logo após lembrei-me de um rapaz que, a algum tempo atrás havia feito o mesmo trabalho com ela, também era homossexual, no entanto, eu havia ficado com uma grande dúvida, ela mesma (Irmã Elizabete) me disse que pouco tempo depois de ter terminado o aconselhamento, ele havia começado a namorar, e eu fiquei pensando, como?

            Foi outra pergunta que lhe fiz, como é possível um homossexual namorar uma garota e ser feliz se um este sente uma atração irresistível pelo mesmo sexo? A resposta foi:

            -Em alguns casos, é possível que um homossexual, depois de um bom aconselhamento, consiga se casar e viver relativamente feliz, outros, vivem em constantes conflitos.
            Quando fiz essa pergunta foi como se desejasse imensamente escolher a resposta que gostaria de ouvir, provavelmente por causa do amor e da atração que sinto pelo Lucas. Talvez teria outra possibilidade, ao sair do seminário, toda jovem em breve arranja alguma namorada, e eu? E minha vontade de abraçar e de beijar alguém? Simplesmente não tenho nenhuma atração, nada me desperta interesse em uma mulher....

            Ao final do encontro, perguntou-me se alguém me amava, nesta eu não exitei:

            -Sim, muitos. E ela prosseguiu:

            -Como é bom ter alguém que nos ame, como é bom nos amarmos, deixe-se amar Wagner, e o principal, ame-se, ame-se muito.

Atualmente:
            Sabem meus queridos amigos, hoje, quando leio algumas destes capítulos, que já estão chegando ao fim, depois de tudo acontecido, começo a rir sozinho. Como já mencionei num capítulo anterior, para mim já está mais que claro que sou obra da natureza, e uma obra maravilhosa que busca sempre mais amor, conhecimento, entendimento, sabedoria, paz, amizades,..., que busca sempre mais.

            Na história da humanidade, já houve de tudo um pouco, guerras horríveis provocadas pelo machismo grotesco da sociedade, pela ganância em busca de poder, pelo desejo de ser melhor que o próximo, já houve eras em que o poder era das mulheres, porém, mergulhamos num obscurantismo tão profundo, que isso foi banido até dos livros de história, já houve eras em que a própria instituição máxima do amor e da paz matou e guerreou em nome de Cristo, a sociedade podre nos impõe seus padrões formatados e tenta nos manipular, provoca guerras, fome, guerreia pelo petróleo, em breve pela água, gera vírus para epidemias planejadas, diminuição planejada do contingente, agora vêem dizer que não somos normais? Vem tentar nos convencer que somos doentes? A mim, quase conseguiram, quase..., agora tenho a obrigação de impedir que convenção o próximo. É a nossa vez!

domingo, 5 de setembro de 2010

Meu Primeiro Selo

Genteee, preciso compartilhar minha alegria com vocês esta noite, recebi de minha querida amiga e blogueira Flor da Vida do blog  http://blogpoesiaflordavida.blogspot.com/ este selinho, o primeiro selinho do ternuraeintimidade.

Bem, não quero quebrar as regras, então, tentarei falar 9 coisas sobre mim, o que é um tanto difícil rsrs, mas..., vamos lá.
1)      Tenho 25 aninhos rsrs e moro em Vitória, capital do Espírito Santo, amo essa cidade.
2)      A maior parte do meu tempo de segunda a sábado é dedicada à faculdade de ciência da computação e ao inglês, este último feito por necessidade, rsrs, tenho pavor de línguas.
3)      Minhas paixões: ler, escrever, música, cinema, praia, amigos...
4)      Um eterno apaixonado pela vida, pela natureza, pelas flores, pelo perfume, pelo sol, pela chuva, pelo ser humano...
5)      Um apreciador dos pequenos detalhes, dos pequenos gestos, da simplicidade, isso incluis as preliminares rsrsrs.
6)      Detesto quem chega, vai direto ao ponto, faz o serviço, vira pro lado, e dorme feito uma princesa.
7)      Meu processo de auto-aceitação foi um tanto longo e doloroso.
8)      Julgo a sociedade como um bando de hipócritas de mente atrofiada.
9)      Todos a quem devia satisfação, esta já foi dada, agora, não devo nada a ninguém.

Bem, agora também dedico este selo a 9 blogs que fazem parte de minha vida, claro que a lista destes é bem maior, mas não posso dedicar a todos, isso me dá a idéia de criar um selo para parabenizá-los pelo talento e trabalho, pelo carinho com que escrevem. Mas por enquanto, dedico este selinho aos seguintes blogs com muito amor e carinho.










quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Minha História (Capítulo 14)

Um Triste Encontro

23 de abril de 2004
 (imagens google)
            Neste dia, já estava cansado de tanto conversar com Irmã Elizabete, havíamos marcado a conversa para após o almoço, as 12:30 eu já estava em sua casa, ficamos conversando enquanto aguardávamos Aparecida, que já estava para chegar, era 1:40 da tarde, já havíamos conversado sobre quase tudo, inclusive sobre Lucas, quando ela chegou.
            Tão logo iniciamos o encontro, eu fiz a minha proposta, naquele dia eu não queria fazer a positivação, queria conversar, esclarecer algumas coisas.
            Comecei contando tudo que havia descoberto nas conversas com minha mãe, como por exemplo que meu era muito ciumento, ficava semanas sem falar nada por ciúme, me rejeitou até o segundo ou terceiro mês de gestação quando minha mãe contou que estava grávida. Descobri que eu não sou fruto da segunda gravidez de minha mãe, mas sim da terceira, quando minha mãe engravidou pela segunda vez, por acaso, sem planejar, um certo dia, numa discussão, no terceiro mês de gestação, por motivos banais, meu pai a fez passar tanta raiva,  chegando até a dizer que ela o havia traído e que o filho não era dele, que ela acabou passando mal, foi levada ao hospital pelo vizinho, perdeu o bebe. Quando ele chegou a hospital, a primeira coisa que perguntou foi porque chamou o vizinho para levá-la ao hospital ao invés de mandá-lo chamar (detalhe, ele estava na lavoura a aproximadamente 40 minutos de casa).
            Sempre percebi que meu pai mimava muito minha irmã (mais nova que eu) e a tratava melhor do que a mim, fazia o mesmo com meu irmão mais velho, detalhe, a gravidez do meu irmão e minha irmã havia sido preparada, desejada, apenas eu vim de enxerido como sempre dizia meu pai, talvez por isso ele sempre me tratou com indiferença.
            Ao terminar de contar tudo isso, Irmã Elizabete perguntou-me o que estava sentindo, logo respondi, raiva, muita raiva, Aparecida acrescentou que isso é bom, é sinal de que mexeu em alguma coisa aqui dentro.
            Perguntei também sobre a positivação, pois minha mãe me disse que quando ficou grávida pela segunda vez, meu pai queria outro menino e eu vi claramente na positivação, por várias vezes, meu pai desejando uma menina. Aparecida e Irmã Elizabete disseram praticamente as mesmas coisas, o inconsciente não mente, nosso inconsciente é Deus e Deus não mente. O que pode ter acontecido, é que com tantos outros problemas, tenha passado despercebida alguma palavra de meu pai em relação a isso e minha mãe não tenha percebido, o que é muito compreensivo no caos em que se encontravam, e também que minha mãe tenha tido uma visão de um ângulo diferente da visão do meu inconsciente. Uma coisa ficou provada, independente do desejo ou não de meu pai de ter uma menina, a conclusão não podia ser outra, com um exemplo de pai que não me traz nenhuma saudade, só raiva e angustia, imerso uma realidade onde minha própria mãe afirma ter dito várias vezes que homem não presta, a conclusão não podia ser outra, quem desejaria ser homem com referências desse tipo?
            Confesso que cheguei ao final desta conversa muito triste, confuso, desanimado, minha única vontade era ter um AMIGO para abraçar, não falar nada, apenas chorar, chorar por tudo que estava sentindo e VIVENDO.
            Irmã Elizabete perguntou o que eu gostaria de fazer nos próximos encontros ou se eu queria parar, fiquei um pouco assustado, pensei ter entendido, de acordo com sua proposta no início do trabalho, que ela tinha planos, diretrizes para os trabalhar as diversas áreas de abrangência da vida de uma pessoa. Já que havia me perguntado, lhe disse o que mais me amedrontava, estava muito inseguro, com muito medo de aparecer em púbico, falar a uma platéia, principalmente com jovens, a vontade que tinha quando me encontrava diante destas situações era de fazer como os avestruzes, enfiar a cabeça em um buraco, me trancar em um quarto escuro onde ninguém pudesse me ver. Ela perguntou-me o porque de todo esse medo, medo que descubram quem realmente você é? Quer dizer que tens vergonha de quem és? Quer dizer que você tem preconceito contra você mesmo?
            Não respondi nada, nem foi necessário, minhas lágrimas falaram por mim tudo o que seria necessário, elas não disseram nada, se levantaram, me abrasaram, um abraço forte, caloroso, de completa acolhido, de acolhida como sou, como Deus me fez.
            Assim terminou este encontro, com toda esta confusão que ficou em minha mente, ela pediu para eu fazer alguma coisa criativa, o que no momento, com todo o desanimo que estava, me deixou mais irritado ainda, normalmente a grande maioria dos gays são bastante criativos, mas por enquanto, eu não me acho nem um pouco criativo, no entanto, vamos lá, alguma coisa tenho que fazer até o próximo dia 07.

            ATUALMENTE:
            Acho interessante deixar aqui minha visão desses acontecimentos hoje. Critico ferrenhamente como as pessoas podem ter a cabeça tão fechada para novas idéias, para observar o diferente, simplesmente para se questionar, hoje isso caiu de moda, se bem que nem sei se algum dia isso foi moda, mas é fato, você não pode perguntar, questionar a sociedade. Hoje observo que, na época em que vivi isso tudo, já não bastasse o calor da situação, eu também não questionava, eu também não perguntava nada, não me perguntava, por exemplo, porque meu pai agia daquela forma, porque ele era tão ciumento, porque ele era tão fechado.
            Se, naquela época, eu tivesse me feito estas perguntas, talvez este texto acima seria bem diferente, não daria ênfase a aquilo que meu pai tinha de ruim, ou mal trabalhado assim digamos, mas descreveria como foi dura sua infância, ou melhor, descreveria que ele não teve infância, estudou até a 3° série do primário, 3 anos muito sofridos devido ao abuso que agüentava dos colegas por ter uma simples deficiência na boca, o que fazia que ele falasse de forma fanhosa, terminando a 3° série, seu pai o tirou da escola, dizia que já era suficiente, e o colocou para trabalhar na lavoura com os irmãos mais velhos, viu seu pai atirar no pé de mamão perto da cozinha (com uma espingarda) porque sua esposa, mãe do meu pai, havia deixado uma dobra em uma de suas camisas, camisas que ela despendia tanto tempo para passar com ferro a brasa, talvez todo o ciúme de meu pai provinha do fato de ver o seu pai gastar boa parte do seu dinheiro com prostitutas e negar uma camisa nova aos filhos para ir a igreja aos domingos, talvez tanta revolta e confusão se deva ao fato de ele meu pai ter caso com sua primeira namorada para sair de casa o mais rápido que pudesse.
            Hoje eu digo, com todos os seus problemas, com as suas preferências, com sua incompreensão, com a falta de carinho, meu pai foi um VITORIOSO.
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