sábado, 21 de agosto de 2010

Minha História (Capítulo 13)


Esperança e esperança

07 de abril de 2004

            No início de todo este trabalho, uma coisa havia ficado decidida, de tempos em tempos faríamos uma conversa a 4, eu, Irmã Elizabete, Padre Pedro (reitor do seminário) e Dom João (Bispo da diocese) para apresentar a eles o trabalho que estava sendo feito e como estávamos caminhando. Este foi o primeiro dos encontros.
            Eu que havia de conduzir a conversa, de início, comecei com uma leitura bíblica que muito me atrai, 1° Coríntios capítulo 13, ao ouvir a primeira frase, Dom João muito se alegrou.


“Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse o amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
O conhecimento de todos os mistérios,
e de toda a ciência,
Ainda que eu tivesse toda a fé,
A ponto de transpor montanhas,
Se não tivesse o amor,
Eu não seria nada.
Ainda que eu distribuísse,
Todos os meus bens aos famintos,
Ainda que entregasse,
O meu corpo às chamas,
Se não tivesse o amor,
Nada me adiantaria,
O amor é paciente,
O amor é prestativo,
Não é invejoso, não se ostenta,
Não se incha de orgulho,
Nada faz de inconveniente,
Não procura seu próprio interesse,
Não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
Mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
Tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
As línguas cessarão,
A ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado,
Limitada é também a nossa profecia,
Mas quando vier a perfeição,
Desaparecerá o que é limitado.
Quando eu era criança,
Falava como criança,
Pensava como criança,
Raciocinava como criança,
Depois que me tornei adulto,
Deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho e de maneira confusa,
Mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado,
Mas depois conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto permanecem estas três coisas:
A fé, a esperança e o amor.
A maior delas, porém, é o amor.”



Iniciei a conversa com os tópicos que havia feito, em primeiro lugar, ressaltando a primeira parte do trabalho de auto-aceitação, que foi o foco dos primeiros encontros, num segundo momento, um pouco mais abrangente, foi a analise feita da família, tanto materna quanto paterna, focalizando a família paterna, identificando uma autoprogramação inconsciente talvez por gerações, com atitudes autodestrutivas passadas de pais para filhos, prejudicando assim novas famílias e causando muito sofrimento.
            Num terceiro momento, focalizei a positivação e as descobertas que tenho feito, mas não quis comentar muito sobre isso, pois, nas intensas conversas que estava tendo com minha mãe nesse período, ela me contou muita coisa que escondia dos filhos para protegê-los, mas que eu precisava saber para perseguir neste trabalho, e ainda não comuniquei estes fatos novos a Irmã Elizabete.
            Ao terminar estes pontos, Irmão Elizabete me lembrou outras situações que deveriam ser partilhadas, a do emprego, que por sinal foi péssima experiência, muito rica em conhecimento e aprendizagem, mas foram dias amargos que passei naquela loja, e uma segunda, a vivência na família que havia me acolhido até quando precisasse ou quisesse ficar, que como a anterior, e ainda mais, foi muito valiosa e enriquecedora, são muito acolhedores, mas eu não consegui me acostumar, a realidade é diferente, o clima é diferente, e depois que eu perdi o emprego, achei mais complicado ainda ficar lá.
            Minha decisão final foi voltar para casa, assim o fiz, voltei para lá dia 26 de março de 2004, estou trabalhando na roça com meu irmão e daqui a pouco tempo também se inicia a colheita do café e ai tem muito trabalho a ser feito.
            Ao terminar esta exposição, deixei um espaço para tirar qualquer dúvida que houvesse ficado ou caso quisessem comentar algo, elogiaram muito o trabalho que Irmão Elizabete e eu estávamos fazendo, que o caminho é realmente este, que sigamos em frente animados. Dom João comentou que ficou admirado com toda a analise da família que consegui fazer, e Padre Pedro, que nunca me viu falar tão bem quanto hoje, sem gaguejar nenhuma vez (é... a homossexualidade reprimida faz coisas...(acrescentado atualmente rsrs)).
            Irmã Elizabete comentou um pouco como estava sendo para ela, que no início havia sido bem difícil, ela tinha que arrancar as informações de mim, mas agora eu já estava conseguindo expor fatos e sentimentos com maior facilidade. Em seguida ela me fez algumas perguntas que achava importante Dom João e Padre Pedro tomarem conhecimento.
            A primeira foi em relação as minhas perspectivas para o restante do ano, se havia gostado da conversa e se queria ter outras durante o ano ou não. Minha resposta foi rápida:
            -É claro que sim, a conversa a quatro foi extraordinária, me deixou super animado e esperançoso, muito alegre e quero sim que tenhamos outras oportunidades como esta.
            Em seguida, perguntou-me em relação à auto-aceitação, e pediu que eu atribuísse uma porcentagem para expressar o tanto que eu havia conseguido me aceitar, pensei um pouco e disse que estava numa faixa entre 50% a 60%  e pediu também que eu fizesse o mesmo em relação ao celibato, viver o celibato (abstinência sexual) como estou hoje, à qual atribuí 50%.
            Tanto Dom João quanto Padre Pedro deixaram bem claros que estão muito felizes e animados com o que viram e que estão torcendo para eu retornar ao seminário no próximo ano, mas que, independente da minha escolha, me respeitam na minha individualidade de ser humano e no meu direito de ser feliz da forma como achar melhor.

6 comentários:

  1. Adoro essa sua saga familiar e pessoal... Hj, está demais e a frase:...'se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso'... é muito boa, ficou aqui, como um sino, no meu ouvido!
    Um bom domingo! Sucesso com os votos no blog!

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  2. Acho legal como todas estas conversas deram certo com vc, estas análises todas. Acho necessário para qualquer um. É muito bom eles te respeitarem e quererem apenas a sua felicidade independente de sua escolha.

    Abraço!

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  3. Nossa... jurava que já era seguidor do seu blog... Bom, agora sou! rsrs

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  4. Olá menino
    Continuo acompanhando a história e votando.
    Tenha uma linda semana
    Bjux

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  5. Pois saiba q eu continuo votando e q tô torcendo por vc.Espero q ganhe mesmo.
    Aind amais com td essa saga pessoal.
    Leva mt aprendizado.
    Existem mt gente ignorante e q axa q pode julgar a pessoas por suas condições sexuais, p "escolha" pra mim não acontece.
    Ngm escolhe o caminho mais difícil.

    Obrigada pelo voto e peço q continue votando e torcendo.
    Obrigada novamente
    @vanimonique
    :*

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  6. Oi Lindo!
    Bela escolha!
    Corintios 13 - eh simplesmente perfeito!

    =)
    bj

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