quinta-feira, 13 de maio de 2010

Minha História Capítulo 01

Desde o dia em que criei este blog, o criei com apenas uma coisa em mente, contar um pouco de minha história, de minha vida, de tudo que passei para hoje, ser quem sou, não que tenho muita diferença da época, mas uma coisa mudou radicalmente, a forma como eu mesmo me vejo!
Cada postagem que eu fizer de hoje em diante, provavelmente terá o mesmo título, como se fosse um livro acrescentando capítulos.
Meu tempo é muito corrido, o divido entre trabalho, faculdade, inglês, música, cinema, praia, peço desculpas se o espaço entre uma postagem e outra se estender, farei o possível para não deixar o tempo se prolongar.
Adianto que cada capítulo não é apenas baseado em fatos reais, simplesmente é real, se necessário, farei um comentário antes de cada um, no entanto, após a primeira palavra do capítulo até a última, são apenas transcritas de meu caderno, escrito em 2003, quando tudo ocorreu alterando apenas os nomes dos personagens para nomes fictícios que manterei no decorrer do relato.
Bem, deixemos de papo e vamos ao que importa. Só para situar o leitor, um estado qualquer do Brasil, numa cidade qualquer, interiorana, num seminário, isso mesmo num seminário, e um seminarista gay, eu!
Minha História
Capítulo 01      Auto Revelação
18 de outubro de 2003
Aquele sábado a tarde, quanta agonia, foram semanas só tentando tomar coragem de marcar este horário, não dava mais pra suportar. Quando chegou o sábado, cada minuto parecia uma hora, a falta de controle, o medo, me fez sofrer mais antes que durante.
É chegada a hora. Três da tarde cheguei na casa da irmã, ela iria estar só, a outra tinha compromissos na paróquia. De inicio, conversamos um pouco sobre plantas, ela sabia que eu adorava plantas, mas na verdade, acho que tocou nesse assunto para me tirar do abismo em que me encontrava. Minhas mãos tremiam, suavam, não sabia para onde olhar, como começar, o que me salvou foi isso, de forma descontraída, conversamos sobre plantas ornamentais e seus poderes positivos que tanto nos influenciam, isso foi bom, muito bom, fez com que eu ficasse a vontade, bem, não a vontade literalmente, mas ao menos minhas mão não suavam mais.
Logo dei início ao assunto, disse que não consegui me aceitar como era por causa disso. Neste momento, entreguei-lhe uma folha que continha algumas explicações sobre a homossexualidade.
A conversa foi longa, havia muita dor, muita mágoa e ressentimento, muito medo, das pessoas, do mundo, do que eu poderia encontrar ao voltar o olhar para dentro de mim. Saí de lá, já eram 6:10 da noite, mais ou menos três horas de conversa, ou melhor, desabafo, jogando para fora tudo que havia sido reprimido por 18 anos. Eu estava aflito, branco, pálido, tremendo, sempre pensei, como já aconteceu várias vezes, que nunca aconteceria comigo, mas, mais uma vez aconteceu, e havia chegado a hora de eu mesmo encarar de frente o meu verdadeiro EU e parar de fingir que está tudo bem.
Quando terminou a conversa, eu estava calmo, já havia derramado todas as lágrimas possíveis e imagináveis, e depois de três horas, estava calmo, voltei para o seminário tranqüilo, feliz, descobri que as coisas não eram bem como eu pensava.
Descobri que a escolha era minha, ao longo do tempo eu adquiri tanta confiança dos superiores, especialmente do padre Pedro, que cabia a mim a decisão de continuar ou não no seminário.
Estava vencido o meu maior medo, contar que era homossexual, contar e ser mandado embora do seminário, afinal de contas, qual a diferença entre o homossexual e o heterossexual em relação ao sexo, se ambos terão de viver o celibato?
Voltei para casa super tranqüilo, não tinha mais a preocupação de esconder nada mais. Esta conversa mudou minha opinião em relação à própria Irmã Elisabete, por ser formada em psicologia, tinha medo de me aproximar para conversar com ela, tinha medo que ela descobrisse algo a meu respeito, porém, agora que contei tudo, que alivio, converso livremente com ela.
Lembro-me que durante a conversa, disse-me que durante a missa da quinta-feira a noite, num momento em que olhei para traz, não a vi, no entanto, ela me viu, disse-me que percebeu uma tristeza tão grande , tão profunda em meus olhos que havia ficado preocupada, nunca havia visto um sinal de tristeza tão grande e tão aparente. Neste dia, que tenho más recordações, foi um dia decisivo, pois na sexta-feira, marquei esta conversa.
Lembro-me também que me perguntou porque resolvi contar agora e arriscar todo o meu futuro, disse-lhe que não queria seguir para a filosofia com este peso, queria ser transparente, na verdade, também é por isso, mas há um outro motivo um tanto maior que ainda não contei, quero e preciso contar. Por causa da tração que sinto pelo Lucas (meu colega de seminário). Desde quando o vi pela primeira vez, encheu-me os olhos, achei-o lindo, atraente, e não imaginas que coroa de espinhos que era isso para mim, eu, homem, sentindo atração por meu amigo, por outro homem. Doía cada vez mais meu coração sempre que me deparava com a situação de sentir atração por alguém do mesmo sexo, não conseguia aceitar, a sociedade havia feito um bom trabalho e impor seus padrões sobre mim, mas é assim, eu sou assim, e não há como mudar.
O meu erro, foi que eu deixei a situação chegar num ponto onde eu mais não podia controlar. Sempre que íamos dormir, conversávamos muito antes, tornamo-nos o melhore amigo um do outro, ele confiou-me suas dificuldades, seus desejos, fatos de sua vida pessoal, coisas muito íntimas, chegou ao ponto em que eu fiquei sem defesa, é assim até hoje, diante dele, meu sistema de defesa é anulado, tudo o que ele me pergunta, eu não consigo fazer nada, simplesmente respondo com a maior sinceridade deste mundo.
Eu sou seu melhor amigo, ele tem grande consideração por mim, tudo com uma pureza muito bela de sua parte, mas eu não estava mais resistindo, eu estava e estou apaixonado, e isso eu não estava mais suportando, amá-lo em segredo. Este foi o principal motivo que me fez contar, não dava mais pra carregar esta cruz, não sozinho, eu precisava de ajuda.
Após a conversa, uma coisa havia ficado decidido, contar ao reitor padre Pedro o mais rápido possível e em seguida marcar outro horário com ela, e assim eu faria.

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