domingo, 16 de maio de 2010

Minha Historia Capitulo 02

            Olá caros amigos, venho novamente até vocês neste post trazer o segundo capítulo de minha história, um pouco mais embaraçoso, um pouco mais comprometedor, um pouco mais íntimo, mas também, mais realista. Beijos.

Minha Historia

Capitulo 02 Coragem, Ele não Morde!

24 de outubro de 2003
            Após a conversa com Padre Pedro, voltei a conversar com Irmã Elizabete e contei-lhe coma havia sido a conversa. Extraordinária, muito boa, não esperava tão grande compreensão por parte dele. Fez-me muitas perguntas, e respondi a todas, respondi a todas com a maior sinceridade que pude. Respondi que tomei consciência disso no ano 2000, que queria continuar no seminário e uma série de outras questões, até mesmo se sentira atração por algum dos meus colegas, também respondi:
            - pelo Lucas.
            Também contei que havia pedido ao Padre Pedro para conversar com Dom João. Neste momento Irmã Elizabete fechou a caro, como o tempo quando começa a trovejar, me perguntou abruptamente:
            - E padre Pedro vai passar para Dom João todos os seus sentimentos, todas as suas emoções?
            Só havia uma resposta:
            - Não.
            - Então tenha coragem, ele não morde! Só você pode transmitir através das palavras aquilo que você está sentindo!
            Ela me colocou sentado em frente a uma cadeira vazia, pediu que eu imaginasse que era Dom João que estava ali, que contasse tudo a ele. É claro que no momento, achei ridículo conversar com uma cadeira, mas não é que essa loucura funcionou! Depois desta experiência, fiquei tam encorajado a conversar com ele pessoalmente que, no mesmo dia fui lá e lhe contei tudo, numa conversa, para ele, muito longa, aproximadamente trinta minutos. Quanto ao conteúdo da conversa, mais a frente me aterei a mais detalhes. Foi fantástica a mudança que aquele pequeno teatro fez em mim, mostrou-me que ele é idêntico a mim, está a frente da igreja, mas antes dele, tem alguém muito sábio, o Espírito Santo, e que, isso não é minha escolha, qualquer má reação por parte dele, quem se exaltaria seria eu, pois sou o mais inocente dos inocentes nesta história toda.
A poesia faz parte de minha vida, em meu caderno, que sempre me acompanha, há páginas e páginas, lágrimas e lágrimas, poemas e poemas expressando toda minha revolta com minha condição, esta que transcrevo aqui é apenas um exemplo, foi escrita dias após esta conversa acontecer, num dos momentos de baixo astral. Caso o leitor a julgue extensa demais, a não leitura da mesma não compromete a compreensão da situação relatada, apenas á empobrece um pouco.

Um Capítulo Poética

Hoje amanheci triste
Pois triste ontem fui dormir
Ainda é difícil acreditar
Esse ser que sou ter que aceitar

No mundo eu fui jogado
E nada pude escolhe
Mas sinto que sou mal amado
Por aquilo que o mundo me fez ser

Não escolhi família nem raça
Nascer no catolicismo foi uma graça
Também não escolhi ser homem ou mulher
O mundo me fez meio a meio

Aqui peço licença
Pra dizer do mais profundo
Quão difícil é esta sentença
E suportar as dores do mundo

Como tu, que sentes atração
Pelo sexo oposto ao teu
É com imensa solidão
Que tenho que aceitar o jeito meu

Um corpo grande, masculino
Mas se assim posso dizer
Um espírito dócil, feminino
Que caracteriza todo o meu ser

Até hoje não compreendo
Como que, num ser masculino
O desejo pelo próprio masculino
Possa ser mais forte do que a própria vontade de mudar

Meu coração fica apertado
Quando penso no que ontem senti
No momento em que me deparo
Com tudo que até ali já resisti

Aqui peço licença ao meu grande amigo
Para seu nome neste papel escrever
É o Lucas o meu melhor amigo
Que necessito agora descrever

Com todo respeito do mundo
Que convivo e trato meu amigo
O único culpado sou eu
Ele, o mais inocente do mundo

Disse ele próprio
Que seu melhor amigo sou eu
Mas nada sabe ele
Sobre o meu grade problema

É uma amizade sincera
Da qual nunca havia experimentado
Em toda aquela vida singela
A quem nunca havia contado

O meu maior desejo
É a ele chegar e contar
Mas ai bate aquele medo
Não ter mais em quem confiar

A única barreira que me impede
É esse medo desgraçado de perder
Pois, sabemos coisas um do outro
Quem nem os próprios pais sabem de nós

Mas voltando a noite de ontem.
Confiar-lhe-ei um segredo.
É sempre tão difícil suportar
Ver alguém que a gente tanto ama

Ele é meu melhor amigo
Eu sou seu melhor amigo
Pra ele ai terminou
Pra mim, apenas começou

Talvez seja por isso
Que seu grande amigo consegui me tornar
Talvez pela necessidade de me aproximar
E a ele me confiar

É difícil deitar todas as noites
E vê-lo a minha frente de cueca
Dormir no mesmo quarto é um açoite
Sabendo que com as mulheres faz sucesso

A coisa mais difícil desse mundo
É não poder demonstrar um sentimento
Chega uma hora que transborda!
Qual será a minha hora?

Aqueles braços, aquele peito
Aquelas pernas, aquelas curvas
Aquela barriga lisa, linda
Aquela marca da sunga por sobre o bumbum

Quantas noites chorando fui dormir
E com olhos vermelhos amanheci
Um simples abraço que me dava
Eu todo me desmontava

Hoje não sei o que mais me entristece
Se é pela descoberta de minha homossexualidade
Ou se é pelo amor não correspondido
Da primeira paixão que a vida me deu

Hoje os cientistas relatam
Que não sabem o que é a homossexualidade
Talvez seja uma doença
Talvez uma barbaridade

Os psicólogos caem em controvérsia
E dizem que o problema é intra-uterino
Há uma hipótese de cura
Para quem pagar o pedido

Enquanto não se decidem
E nada se torna provado
Os homossexuais que suportem
Essa dor do desprezo humanitário

Talvez num breve futuro
A verdadeira causa aparecerá
A humanidade para traz olhará
E verá o massacre absurdo

Sei que um dia será provado
E em meio a tanta discursam
Vergonha e humilhação
O mais inocente sou eu

A você que não mais me suporta
Obrigado, se até aqui conseguiu chegar
Ficarei só, remoendo
Esse meu romance não correspondido

Um dia sei que vai terminar
Pelas minhas mãos
Ou pelas mãos de Deus
Tudo vai acabar

A primeira coisa a fazer
É daqui logo sair
A ninguém incomodar
O problema é só meu

É difícil quando levanto de manhã
E o vejo descer de sua cama
As vezes excitado
Causando aquele volume na cueca

Mais vulnerável fico
Quando vejo-o sorrir
É nele que também vejo
A perfeição de Deus

Um sorriso extraordinário
Não sei como descrever
O encantamento que vejo
Naquele sorriso monumental

Não canso de olhá-lo
Quando estais a sorrir
É admiravelmente lindo
E sinto isso tudo em segredo

As marcas que se faz em seu rosto
A pessoa maravilhosa que é
Torna-o cada vez mais belo
Ajudado por sua enorme sinceridade

Entro em estase
Quando vejo aquele rosto
Aqueles olhos, aqueles lábios
E não posso tocá-los

Louvado sejas Senhor
Pela mais bela de tuas criaturas
Louvado sejas Senhor
Por ele não ser igual a mim

Que ele seja feliz
Construa uma família
Ou que seja um belo padre
Que seja muito feliz

Junto com ele seria muito feliz
Mais feliz ainda ficarei
Quando vê-lo totalmente feliz
Não há nada mais feliz neste mundo
Que ver a bela pessoa amada
A pessoa mais feliz deste mundo!

            Após a conversa com Dom João.
            Antes de aqui terminar este capítulo, quero ressaltar que foi incrível a coragem que consegui para chegar diante de Dom João, mas a conversa em si foi horrível, ele deixou transparecer que é preconceituoso, muito preconceituoso, vê o homossexual como um doente, pediu inclusive que eu rezasse fervorosamente ao divino espírito santo pedindo o dom e a graça da cura.
            Aquele dia foi horrível, nunca me senti tão rejeitado em toda minha vida, ate mesmo pela sugestão que ele me deu:
            - Vá para casa e trabalhe isso com um psicólogo.


Caros amigos, termina aqui o relato daquele segundo encontro e da conversa com o chefe regional da igreja, acrescento apenas alguns comentários que acho interessante para que os leitores possam melhor compreender o momento.
Tudo isto se passou com um jovem do interior deste país, logo, o que é sabido por todos, região onde o preconceito é mais acentuado e a dominação da igreja é ainda maior, um jovem que cresceu ouvindo do pai as maiores barbaridades sobre os, como ele dizia “viados”, tinha 17 anos de idade e, naquela época acreditava fielmente que a homossexualidade derivara de alguma mutação ou educação errônea.
Não se preocupem, rsrsrs, bastou um pouco de curiosidade e pesquisa um pouco mais refinada para descobrir que a história da homossexualidade data do surgimento da humanidade, há relatos no antigo Egito, a mais de 5 mil anos, na Grécia antigo, berço inclusive do direito tão idolatrado pela sociedade, e tudo se tornou uma desgraça (ausência de graça) com a ascensão do cristianismo no século III quando o mesmo passou a ser a religião oficial do império romano, (meus dedos não me permitem passar por trechos como este sem relatar sobre os massacres cometidos pelos cristãos nesta época contra os judeus e adoradores de outros deuses, como o ocorrido em Alexandria, uma das principais cidades egípcias, onde, um grupo de cristãos, liderado por, hoje conhecido como São Cirilo, santo e doutor da igreja católica, massacraram um grupo definido por eles como ateus, destruíram a famosa Biblioteca de Alexandria e, dentre os mortos, Hipátia, umas das mais brilhantes matemáticas e astrônomas da antiguidade, queimada viva, nua, em praça pública. É deste berço histórico que se origina tanto preconceito residente entre nossa sociedade hoje contra a mulher, o negro, os gays, e tantos outros grupos).
Beijos a todos e até a próxima.

Um comentário:

  1. poema bonito sabe como é ter um amigo gato por que se é apaixonado é uma tortura, ainda por cima que vai ser padre. agente ama mais do que alguem que está junto com o amado. Ainda bem que eu tive um final feliz e vou fazer 5 anos com meu amigo, eu não sabia que ele tambem gostava de mim.

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