quinta-feira, 13 de maio de 2010

Falando um pouco de Preconceito


Hoje foi um dia um tanto anormal para mim, sabe, as coisas estão evoluindo, afinal agora em meu novo estágio, posso cumprir apenas a metade da carga horária nos dias de prova, isso é muito bom, posso até dormir antes das duas da manhã, sabendo que terei um tempinho antes da prova, “não para estudar”, mas dar aquela última olhadela no conteúdo…
Bem, mas voltemos ao caso, devido a este benefício, cheguei cedo a faculdade e me dirigi ao centro de convivência, ou a cantina se preferir, é o mesmo local, para estudar nas horas restantes que faltavam até o momento da prova. Sim, sei que é estranho, devem estar se perguntado por que na cantina e não na biblioteca, no ar condicionado, é simples, por maior que seja a conversa paralela no centro, ainda assim é mais calmo e silencioso que a biblioteca, as vezes tenho até a impressão de estar num estádio assistindo a um campeonato.
O fato foi que, lá chegando, me deparei com um colega que lá estava naquele mesmo horário pelo mesmo motivo que eu, também beneficiado pelo estágio e também fugindo do caos da biblioteca. Fomos juntos e, enquanto tomava aquele café para despertar e abrir um pouco a mente para enfrentar o cálculo, começamos a conversar. Antes de detalhar nossa conversa, permita-me descrevê-lo.
Um jovem baixo, bem baixo, na verdade anão, é a melhor definição, e não estou brincando não, ele, em pé, sua cabeça fica na altura de minha cintura, e de cabeça  não grande, mas pelo seu tamanho, poderia ser um pouquinho menor, e inteligente, muito inteligente.
O fato foi que, entre nossa conversa, umas besteiras e outras, ele acabou me contando sobre um trabalho que fez no primeiro período da faculdade de ciência da computação na disciplina de sociologia, preparou um trabalho falando sobre o preconceito do mercado de trabalho e das empresas de uma forma generalizada em relação à diferença, simplesmente diferença, e confesso muito espanto no momento em que ele mencionou o preconceito que teve de vencer em várias entrevistas, apenas por não ter 1,80 de altura, inclusive na empresa onde trabalhava já a um ano e meio, onde seu chefe, na ocasião entrevistador, fez de tudo para ele desistir, mas ele, assim como eu, não desiste, mencionou suas habilidades, suas capacidades e, mediantes barreiras impostas, desse:
“Sou estudante, preciso deste trabalho para pagar minha faculdade e também para aprender, não importa o que você me proponha, eu vou aceitar, só preciso de uma chance pra mostrar meu potencial”.
Bem, nem preciso dizer que o entrevistador ficou sem palavras por algum tempo.
Sabe aqueles dias em que a gente aprende muito, pois é, este foi um deles, sempre fiquei focado no preconceito que enfrento todos os dias nos olhares, nas falas, nos gestos, e acabo não percebendo o tamanho do preconceito que afeta outras pessoas,  por  vezes ao meu lado, como neste caso que contei, já achava a “sociedade” estúpida, o que meu amigo e colega me contou apenas reforçou o que já sentia. O péssimo hábito que empresas e gerentes mal formados têm de tentar enquadrar todos em padrões predefinidos e formados por aquilo que eles julgam ser o perfil perfeito ou o que mais se aproxima do mesmo. Nem imaginam o potencial que ignoram ao tomar tal postura.

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