quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nem só de flores se faz uma infância

Bem, dei uma saidinha, mas estou de volta, já estava pensando milhões de coisas sobre as quais podia escrever, mas acho que umas não são interessantes o suficiente, outras, já debatidas em demasia, então pensei em dar seqüência a última postagem.
Nesta, contei um pouco de minha infância, bons momentos, de alegria, diversão, mas também angustia e orações, mas houve também o lado do medo, do se esconder, do ser motivo de chacota na escola, alguns que se diziam amigos, coisa do tipo…
Minha relação com meu pai não era das melhores, isso claro, pra não dizer que era horrível, meu irmão, mais velho, como primeiro filho do casal, era motivo de orgulho para ele, o levava onde quer que fosse, minha irmã, mais nova, a primeira menina da casa, era motivo de orgulho para ele, era mimada, cuidada, quase em redoma de vidro, eu, afinal como ele mesmo dizia, nem planejado fui, vim numa noite em que resolveram brincar, de enxerido, sempre ficava em casa com a mamãe, me perguntando porque ele gostava mais do meu irmão e minha irmã do que de mim? O que eu havia feito de errado, ou o que eu havia feito que ele não tivesse gostado? Vim de enxerido?…Bem, nem pedi!
Mas assim era, em casa, com um pai ausente, que quando presente, se perguntava se seu filho ia gostar tanto de café como de flores, afinal, convenhamos, há coisa mais bela nesta vida que lindas flores perfumadas? Alegram qualquer ambiente, são maravilhosas, são espelho de Deus neste mundo.
Na escola, sempre ouvi piadinhas, apesar de não ser muito “possuído”, mas sempre percebem, as amizades são diferentes, os gostos são totalmente diferentes, as predileções, o interesse pelo estudo, a falta deste pelas colegas de turma, a aversão a futebol, esta abominação, essa coisa detestável, e tantas outras coisas que deixam claro para bom entendedor que há algo diferente.
“La vem a bichinha”, aiaiai, como isso me da nos nervos hoje, e mais ainda naquela época, mas já vejo uma boa melhora, afinal hoje ninguém se mete a besta a falar isso na minha presença, afinal meus 1,90cm impõe se não medo, ao menos respeito, mas também sempre digo que os hospitais tem melhorado bastante a qualidade de seu atendimento, o que já é uma vantagem a quem proceder da referida forma.
Bem, este é um outro lado de minha infância, me escondendo, com vergonha, medo, receio que descobrissem, descobrissem algo que nem eu mesmo sabia o que era, nem eu mesmo entendia o que estava acontecendo, mas, simplesmente tinha medo, afinal tudo que eu ouvia era que gay não prestava, veado era uma praga, eram marginais, pecadores, doentes e tantos adjetivos que, o língua farta em adjetivos está!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails