segunda-feira, 31 de maio de 2010

Minha História (Capítulo 5) Segundo Poema

Senhor!

Senhor!
Porque será que fui tão imprudente.
Deixei as coisas chegarem aonde chegou.
Me encantando com algo tão belo e reluzente?

Fico sempre tão triste.
Quando ele toda noite vejo.
E sei que nada será correspondido.
Nem ao menos posso sentir seu beijo.

Não é uma mera atração.
Muito mais que uma grande sedução.
É amor, quem sabe até paixão.
Agora sei o que é desilusão.

Ele tão inocente.
Questionando, querendo ajudar.
Mas sem saber que é ele.
A causa de todo esse conflito.

Triste fico ao saber.
Que até um abraço se torna suspeito.
Que o primeiro amor da minha vida.
É algo totalmente imperfeito.

Dizem que tudo o tempo cura.
Ate amor que nunca deveria existir.
Vamos ver se realmente é verdade.
Ou se triste ficarei para a eternidade.

O que fazer com todo esse sentimento?
Em algum lugar tem que parar.
É tão grande o desejo aqui dentro.
Como é difícil tanto amor suportar!

E a situação que ao meu controle fugiu.
E agora não sei mais o que fazer.
Até de entrar na frente de um fuzil.
Faça, para a ele proteger.

É por isso que me pergunto.
Que amor é esse?
Algo imperfeito tão profundo.
Capaz de a própria vida dor.

Loucura é chamar.
Tudo isso de atração.
É tão difícil agüentar.
Essa grande sedução.

Porque assim tem que ser.
Um amor inverso, impossível.
E na vida tanto sofrer.
Por tão grande amor descabivel?

Triste fico pelos cantos.
Tão grande é o desejo que sito.
Quantos serão os anos.
Que assim terei que viver?

                        (12/11/2003)

domingo, 30 de maio de 2010

Minha História (Capítulo 5) primeira parte

Viva Santo Deus, Viva!

17 de novembro de 2003

            Foi extraordinário o resultado desta conversa. Fui para lá bastante desanimado, triste, decidido a contar tudo sobre meus sentimentos em relação ao Lucas e mostrar-lhe os poemas que havia escrito desde a última conversa, que também retratavam o meu amor pelo meu colega.
            Em primeiro lugar, mostrei-lhe um pequeno trabalho que havia pedido para eu fazer, mostrando o que eu ganharia e o que seria exigido de mim em algumas áreas de minha vida.
            Neste trabalho, a tarefa era a seguinte, relatar em tópicos o que eu teria de fazer e quais seria os ganhos nas principais áreas de minha vida, segue abaixo resultado.
           
Trabalho
Espiritualidade (Oração)
Amizade (ambos os sexos)
Tempo
Tempo
Abertura
Sustento
Estudo
Sinceridade
Energia
Perseverança
Companheirismo
Socializar
Verdadeiro
Responsabilidade
Disponibilidade
Atencioso
Disciplina
Solidariedade
Acolhedor
Autoridade
Crescimento espiritual
Responsabilidade
Limites
Prática do amor
Escutar
Respeito
Verdade
Falar
Administração


Compartilhar / Colaborar



Comunidade
Lazer (Arte)
Acompanhamento
Interesse
Tempo
Temo
Responsabilidade
Criatividade
Dedicação
Escutar
Forma de expressão
Paciência
Opinar
Relaxamento
Força
Questionar
Disposição
Oração
Oração
Dedicação
Auto-conhecimento
Abertura
Alegria
Aceitação
Crescimento
Atenção
Perseverança
Maturidade

Experiência

Crescimento
Convivência

Paz


Alegria

            Logo após, mostrei-lhe também a carta que irei enviar a minha família para comunicar-lhes sobre a possibilidade de eu sair do seminário para o aconselhamento, pois não quero pegá-los de surpresa quando for de férias. (não deixo aqui uma cópia por não achar necessário).
            Após a amostragem desses dois deveres de casa, ela perguntou-me se havia mais alguma coisa que eu queria mostrar naquele momento, pois havia percebido que trazia em minhas mãos outras folhas, então entramos no assunto de praticamente todo o restante da conversa, o amor que sinto pelo Lucas, que, até o presente momento, eu estava reprimindo ferrenhamente. Entreguei-lhe as folhas e pedi que as lesse, eram 3 poemas que havia escrito em momentos de muita angústia, os quais transcrevo aqui.

                                               Meu Lugar
O temo já não me pertence.
Minha mente controla meu estado.
Meu psíquico já sempre vence.
Não consigo fazer meu trabalho.

É como a água do oceano.
Que está sempre viva.
Perdido dentro do meu oceano.
Sempre encontro este paraíso.

Paraíso porque assim sou.
E só assim, feliz serei.
Na dolorosa luta em que estou.
Qual será o fim que terei?

Quem sabe um dia neste oceano.
Um corpo boiando aparece.
Pois então, sabereis quem venceu.
E que tudo não passa de uma dor de cabeça.

Então verei que a noite tem fim.
E que esse oceano é de água cristalina.
Pois o sol raiando assim.
No paraíso que alguém imagina.

Me pego em constante pensamento.
Perplexo e paralisado ante a realidade.
Muitos dos quais sem cabimento.
Mas vejam só que grande maldade.

É ai que vejo meu fim.
Na incapacidade de pode começar.
Sabendo que não deve ser assim.
Nunca devo parar de lutar.

A ti Senhor do céu e da terra.
Rogo triste e desanimado.
Esperando que envie um sinal.
Para este seu ser mal amado.

Aqui desolado esperarei.
Com ânsia de um dia vencer.
Contra este sentimento lutarei.
E vontade de ganhar sempre mais vou ter.

E sei que não há de negar.
O paraíso a tua criatura.
Pois a vida assim teve que aceitar.
E respeitar toda aquela estrutura.

Eis que agora contemplo.
Uma forte luz em minha direção.
Do Divino Espírito Santo sou templo.
E faço parte de toda a criação.

                        (11/11/2003)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Beijo Gay

Este é pra divertir um pouco, ri muito a primeira vez que assisti!

Contra a Homofobia

Fica mais interessante com o som ligado. Propagando mostrando de forma bem clara como que tudo pode ser visto de uma maneira diferente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minha História Capitulo 04

Um Pouco de Antipatia

07 de novembro de 2003.

Esta conversa não foi tão boa e produtiva quanto as outras, de início, já começou com uma repressão, Irmã Elizabete disse que eu iria cronometrar o tempo dos encontros, começando com aquele, que a partir de agora seria de 45 minutos, no máximo de uma hora. Eu não gostei nem um pouquinho, em primeiro lugar, percebi que era uma renúncia aos dois longos encontros anteriores e, em segundo lugar, alguns dias estou bem, tenho pouco a dizer, mas as vezes, vontade de gritar, de correr, de chorar, tenho muito a dizer, a perguntar, a questionar.
Todo este encontro foi um pouco chato, pois isso aconteceu no inicio e a impressão que tive é que isso estava sendo um peso para ela, independente do que estava acontecendo comigo.
Ela me passou vários trabalhos para fazer, e não estou tendo tempo, pois também estou fazendo minha monografia, trabalho que todos os seminaristas fazem no final do propedêutico para ingressarem na filosofia. Ao dizer isso, sabem o que ela me respondeu?
- Não quero saber, se vire!
Resumindo, saí daquele encontro um pouco revoltado. Começamos a discutir também neste encontro um pouco sobre como vai ser minha vida no próximo ano, fora do seminário, com quem vou me encontrar (dar continuidade ao trabalho psicológico), o que vol fazer, como vou dividir meu tempo, que será discutido de forma mais clara no próximo encontro quando eu entregar a ficha com tudo escrito detalhadamente (um dos trabalhos solicitados).
Ao chegar em casa, senti um pouco de revolta, é como se ela estivesse me controlando de certa forma, ou, me rejeitando pelo que sou, como se eu fosse um instrumento em suas mãos e ela fizesse o que quisesse.
Vamos ver como será o próximo encontro, e, se algum dia, eu sair de lá sem dizer algo que estava necessitando dizer, vou reclamar os meus direitos de falante, se ela escolheu e aceitou livremente me ouvir, que ousa até o fim.

HOJE
Enquanto lia e digitava esta este relato do quarto encontro, comecei a rir, tomando consciência de como minha mente era ainda restrita naquela época. Hoje, depois de ter passado por furiosas tempestades, depois de ter aprendido muito, de ter lido muito, não apenas livros, mas a vida também, e esta é a melhor, percebo que muitas atitudes foram necessárias, confesso um porco de vergonha ao escrever o primeiro parágrafo, mas como estou sendo fiel aos escritos antigos, não alterei nada, como mencionei no primeiro capítulo, apenas os nomes doas atores. Cada um, cada pessoa, independente do que faça, têm sua vida, seus afazeres, suas responsabilidades, e eu a estava culpando por não dispensar 2 ou 3 horas de seu dia em meu favor, apenas uma hora, isso faz parte da disciplina, de cada um, de cada profissional, de cada ser humano, e vejo como isso me ajudou a atingir a minha disciplina. Hoje minha opinião, visão, é outra completamente diferente, consigo ver a importância deste quarto encontro, no entanto, também entendo que minha mente, naquela época, estava envolta em tantas contradições que acho até normal, não ter percebido nada disso.
Se pelo acaso, Irmã Elizabete vir a tomar conhecimento destes textos, em especial deste, venho aqui registrar meu pedido de desculpas por ter sido tão cabeça dura naquela época.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Minha história Capitulo 03

Uma Decisão em Meio a Dor

28 de outubro de 2003.

            Esta conversa também foi muito longa, começou as 10:50 da manhã e terminou as 14:00 horas. O tema central desta foi o ano seguinte, o ano de 2004, onde? Como? Com quem?
            Dom João, havia dito para eu voltar para casa e procurar um psicólogo, Padre Pedro acatou a idéia, mas antes pensava em deixar eu progredir no seminário, com tanto que procurasse um psicólogo, Irmã Elizabete, para não discordar do bispo, acatou a sua opinião, mas deu outra sugestão também, ficar fora da família, primeiro porque, para realizar este trabalho com ela, precisava ficar em contato com muita gente e, com a família, isso não aconteceria, pois moram no rosa. Em segundo, a situação financeira da minha família (que morava em outra cidade) não permitia que eu fosse até aquela cidade uma vez por semana, minha mãe ficara viúva 3 anos antes, ganhava pouco e tínhamos uma dívida num hospital da capital no valor de R$3.700,00 devido a uma cirurgia que meu irmão necessitou fazer.
            Eis a maior questão, onde, como e com quem?
            Por fim, decidi procurar uma casa, um lugar para ficar, e um trabalho na cidade, para isso, comecei a procurar amigos, colegas, conhecidos das comunidades, comecei a sair muito nos horários mais livres, meus colegas do seminário começaram a questionar, estavam notando algo estranho, estavam curiosos para saber o que estava acontecendo, mas só quatro neste mundo sabiam, Padre Pedro, Irmã Elizabete, Dom João e eu,  e assim permaneceria.
            Nesta conversa, também contei como havia sido a conversa com Dom João, a má impressão que tive e o preconceito que deixou transparecer.
            Por fim, acabei descobrindo um grande preconceito que estava escondido dentro de mim mesmo, chorei muito, não conseguia me aceitar como homossexual, como gay, me considerava um erro da natureza.

            Irmã Elizabete também começou a chorar. Em todas as vezes que chorei, nunca havia sentido lágrimas tão amargas como aquelas. Talvez na tentativa de me acalmar, pediu que eu escolhesse um número de zero a dez, escolhi o seis, pediu para que eu fizesse contato com a criança dentro de mim, com a minha criança quando tinha seis anos de idade e chamá-la para conversar, pois ela podia me contar muita coisa que eu não sabia. Pediu que eu conversasse com ela, que dissesse a ela tudo que estava sentindo, tudo que estava a anos entalado, me sufocando, que fizesse isso através de um texto, “- como você é destro, escreva tudo que sentir necessidade com sua mão direita, quando sua criança for responder, escreva com a mão esquerda”, texto este que transcrevo aqui:

            - Fofo, vem aqui um pouquinho, deixe o carrinho ai, preciso conversar com você. Estou passando por alguns problemas, estou muito mal comigo mesmo, sei que você pode me ajudar. É difícil aceitar, mas já aconteceu e não há como mudar. Eu preciso que você me conte como eu faço, o que tenho que fazer para me aceitar como sou?
            - Você já sabe, se você não se aceitar como é, você nunca será feliz. Tantas pessoas nascem cheias de problemas, cegas, surdas, sem as pernas ou braços, isso é contra a lei da natureza, mas essas pessoas não escolheram, nem seus pais escolheram isso para elas, a final de contas, quais os pais que querem ver os filhos sofrerem? Você é completo, perfeito, pode brincar, cantar, dançar, trabalhar. Aproveite tudo isso para sua felicidade!
            - Obrigado Fofo, muito obrigado, pode voltar a brincar...não, espere.... Quem nasce cego, surdo, mudo, sem um braço ou uma perna, é porque a mãe teve alguma doença durante a gravidez, ou ocorreu algum tipo de má formação do feto devido a uma série de fatores, mas eu, porque eu sou assim?
            - Meu anjo, meu querido amigo, as vezes acontecem certas coisas que não são possíveis serem resolvidas descobrindo como ocorreu ou o porque ocorreu. Não está ao nosso alcance mudarmos tudo que não nos agrada. O que acontece é que seus pais, quando sua mãe estava grávida, provavelmente desejaram uma garotinha, pois o primeiro filho já era um menino...
            - Tudo bem Fofo, mesmo que seja por isso, é difícil aceitar esta situação de castidade eterna obrigatória, se eu quiser ficar dentro dos padrões morais da sociedade. Hoje estou bem, pois, mesmo tendo o bispo não muito a meu favor, ainda quero sr padre, mas, e se amanhã eu resolver sair? Perceber que o fundamental, o principal, o desejo maior, já não é mais este? É difícil perceber que terei de rejeitar meus desejos, meus instintos naturais, mesmo não sendo normais, são naturais, pois assim fui feito, e quando o celibato já não fizer parte da minha opção de vida? Não tiver mais o sentido que tem? Percebo que será difícil morrer sem saber o que é um beijo, mesmo que na boca de um outro homem, mas é por quem sinto atração, será difícil viver “livre”, sem uma carícia, um afeto, sem alguém em quem poder depositar o meu amor, os meus sentimentos, sabendo que me entenderá.
            - Meu anjo, quando sentimos alguma coisa, que não segue os padrões da sociedade, que sabemos que nos tornará mal vistos, temos que tentar utilizar esta força, essa energia, em uma outra atividade, , mas sei que as vezes, é difícil fazer esta transferência, pois esta força mexe com todo o nosso ser existencial, faz parte de tudo que nos constitui. Quando não conseguimos, nos tornamos pessoas amargas, nos sentimos infelizes, a única saída que vejo é, sem perder a cabeça, com toda seriedade, tentar ser feliz, nem que para isso tenha que ir morar com um companheiro. Acho isso melhor que passar a vida toda sofrendo por desejos e vontades quase incontroláveis, reprimidas, tentando a vida toda transferir esta energia, sem sucesso. Acho que Deus não vai mandar ninguém para o inferno só por não ter resistido à atração que sentia, afinal de cotas, se Deus é tão compreensivo quanto dizem, entenderá que o mais inocente nessa história toda é a própria pessoa que foi constituída assim.
            - Fofo, o mais difícil para mim mesmo está sendo eu mesmo me aceitar como homossexual, as vezes tenho a impressão que tudo parece um filme...
            - Mas você já sabe que quase 100% dos filmes tem um final feliz. Pense numa coisa, se você não se aceitar, quem vai te aceitar? Tome consciência disso, se você não se aceitar, nem mesmo outro homossexual irá te aceitar. O que você tem que fazer é ser feliz como você é, com aquilo que Deus te deu, sem deixar de lado seus princípios morais.
            - Valeu fofo, foi muito bom conversar com você.

            Este texto, só terminei em caso, já no seminário, durante a conversa, eu apenas o iniciei, talvez para me acalmar um pouco, quando terminamos, estava exausto, super cansado, não conseguia pensar em nada, apenas tinha vontade sentar e chorar, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.

domingo, 16 de maio de 2010

Minha Historia Capitulo 02

            Olá caros amigos, venho novamente até vocês neste post trazer o segundo capítulo de minha história, um pouco mais embaraçoso, um pouco mais comprometedor, um pouco mais íntimo, mas também, mais realista. Beijos.

Minha Historia

Capitulo 02 Coragem, Ele não Morde!

24 de outubro de 2003
            Após a conversa com Padre Pedro, voltei a conversar com Irmã Elizabete e contei-lhe coma havia sido a conversa. Extraordinária, muito boa, não esperava tão grande compreensão por parte dele. Fez-me muitas perguntas, e respondi a todas, respondi a todas com a maior sinceridade que pude. Respondi que tomei consciência disso no ano 2000, que queria continuar no seminário e uma série de outras questões, até mesmo se sentira atração por algum dos meus colegas, também respondi:
            - pelo Lucas.
            Também contei que havia pedido ao Padre Pedro para conversar com Dom João. Neste momento Irmã Elizabete fechou a caro, como o tempo quando começa a trovejar, me perguntou abruptamente:
            - E padre Pedro vai passar para Dom João todos os seus sentimentos, todas as suas emoções?
            Só havia uma resposta:
            - Não.
            - Então tenha coragem, ele não morde! Só você pode transmitir através das palavras aquilo que você está sentindo!
            Ela me colocou sentado em frente a uma cadeira vazia, pediu que eu imaginasse que era Dom João que estava ali, que contasse tudo a ele. É claro que no momento, achei ridículo conversar com uma cadeira, mas não é que essa loucura funcionou! Depois desta experiência, fiquei tam encorajado a conversar com ele pessoalmente que, no mesmo dia fui lá e lhe contei tudo, numa conversa, para ele, muito longa, aproximadamente trinta minutos. Quanto ao conteúdo da conversa, mais a frente me aterei a mais detalhes. Foi fantástica a mudança que aquele pequeno teatro fez em mim, mostrou-me que ele é idêntico a mim, está a frente da igreja, mas antes dele, tem alguém muito sábio, o Espírito Santo, e que, isso não é minha escolha, qualquer má reação por parte dele, quem se exaltaria seria eu, pois sou o mais inocente dos inocentes nesta história toda.
A poesia faz parte de minha vida, em meu caderno, que sempre me acompanha, há páginas e páginas, lágrimas e lágrimas, poemas e poemas expressando toda minha revolta com minha condição, esta que transcrevo aqui é apenas um exemplo, foi escrita dias após esta conversa acontecer, num dos momentos de baixo astral. Caso o leitor a julgue extensa demais, a não leitura da mesma não compromete a compreensão da situação relatada, apenas á empobrece um pouco.

Um Capítulo Poética

Hoje amanheci triste
Pois triste ontem fui dormir
Ainda é difícil acreditar
Esse ser que sou ter que aceitar

No mundo eu fui jogado
E nada pude escolhe
Mas sinto que sou mal amado
Por aquilo que o mundo me fez ser

Não escolhi família nem raça
Nascer no catolicismo foi uma graça
Também não escolhi ser homem ou mulher
O mundo me fez meio a meio

Aqui peço licença
Pra dizer do mais profundo
Quão difícil é esta sentença
E suportar as dores do mundo

Como tu, que sentes atração
Pelo sexo oposto ao teu
É com imensa solidão
Que tenho que aceitar o jeito meu

Um corpo grande, masculino
Mas se assim posso dizer
Um espírito dócil, feminino
Que caracteriza todo o meu ser

Até hoje não compreendo
Como que, num ser masculino
O desejo pelo próprio masculino
Possa ser mais forte do que a própria vontade de mudar

Meu coração fica apertado
Quando penso no que ontem senti
No momento em que me deparo
Com tudo que até ali já resisti

Aqui peço licença ao meu grande amigo
Para seu nome neste papel escrever
É o Lucas o meu melhor amigo
Que necessito agora descrever

Com todo respeito do mundo
Que convivo e trato meu amigo
O único culpado sou eu
Ele, o mais inocente do mundo

Disse ele próprio
Que seu melhor amigo sou eu
Mas nada sabe ele
Sobre o meu grade problema

É uma amizade sincera
Da qual nunca havia experimentado
Em toda aquela vida singela
A quem nunca havia contado

O meu maior desejo
É a ele chegar e contar
Mas ai bate aquele medo
Não ter mais em quem confiar

A única barreira que me impede
É esse medo desgraçado de perder
Pois, sabemos coisas um do outro
Quem nem os próprios pais sabem de nós

Mas voltando a noite de ontem.
Confiar-lhe-ei um segredo.
É sempre tão difícil suportar
Ver alguém que a gente tanto ama

Ele é meu melhor amigo
Eu sou seu melhor amigo
Pra ele ai terminou
Pra mim, apenas começou

Talvez seja por isso
Que seu grande amigo consegui me tornar
Talvez pela necessidade de me aproximar
E a ele me confiar

É difícil deitar todas as noites
E vê-lo a minha frente de cueca
Dormir no mesmo quarto é um açoite
Sabendo que com as mulheres faz sucesso

A coisa mais difícil desse mundo
É não poder demonstrar um sentimento
Chega uma hora que transborda!
Qual será a minha hora?

Aqueles braços, aquele peito
Aquelas pernas, aquelas curvas
Aquela barriga lisa, linda
Aquela marca da sunga por sobre o bumbum

Quantas noites chorando fui dormir
E com olhos vermelhos amanheci
Um simples abraço que me dava
Eu todo me desmontava

Hoje não sei o que mais me entristece
Se é pela descoberta de minha homossexualidade
Ou se é pelo amor não correspondido
Da primeira paixão que a vida me deu

Hoje os cientistas relatam
Que não sabem o que é a homossexualidade
Talvez seja uma doença
Talvez uma barbaridade

Os psicólogos caem em controvérsia
E dizem que o problema é intra-uterino
Há uma hipótese de cura
Para quem pagar o pedido

Enquanto não se decidem
E nada se torna provado
Os homossexuais que suportem
Essa dor do desprezo humanitário

Talvez num breve futuro
A verdadeira causa aparecerá
A humanidade para traz olhará
E verá o massacre absurdo

Sei que um dia será provado
E em meio a tanta discursam
Vergonha e humilhação
O mais inocente sou eu

A você que não mais me suporta
Obrigado, se até aqui conseguiu chegar
Ficarei só, remoendo
Esse meu romance não correspondido

Um dia sei que vai terminar
Pelas minhas mãos
Ou pelas mãos de Deus
Tudo vai acabar

A primeira coisa a fazer
É daqui logo sair
A ninguém incomodar
O problema é só meu

É difícil quando levanto de manhã
E o vejo descer de sua cama
As vezes excitado
Causando aquele volume na cueca

Mais vulnerável fico
Quando vejo-o sorrir
É nele que também vejo
A perfeição de Deus

Um sorriso extraordinário
Não sei como descrever
O encantamento que vejo
Naquele sorriso monumental

Não canso de olhá-lo
Quando estais a sorrir
É admiravelmente lindo
E sinto isso tudo em segredo

As marcas que se faz em seu rosto
A pessoa maravilhosa que é
Torna-o cada vez mais belo
Ajudado por sua enorme sinceridade

Entro em estase
Quando vejo aquele rosto
Aqueles olhos, aqueles lábios
E não posso tocá-los

Louvado sejas Senhor
Pela mais bela de tuas criaturas
Louvado sejas Senhor
Por ele não ser igual a mim

Que ele seja feliz
Construa uma família
Ou que seja um belo padre
Que seja muito feliz

Junto com ele seria muito feliz
Mais feliz ainda ficarei
Quando vê-lo totalmente feliz
Não há nada mais feliz neste mundo
Que ver a bela pessoa amada
A pessoa mais feliz deste mundo!

            Após a conversa com Dom João.
            Antes de aqui terminar este capítulo, quero ressaltar que foi incrível a coragem que consegui para chegar diante de Dom João, mas a conversa em si foi horrível, ele deixou transparecer que é preconceituoso, muito preconceituoso, vê o homossexual como um doente, pediu inclusive que eu rezasse fervorosamente ao divino espírito santo pedindo o dom e a graça da cura.
            Aquele dia foi horrível, nunca me senti tão rejeitado em toda minha vida, ate mesmo pela sugestão que ele me deu:
            - Vá para casa e trabalhe isso com um psicólogo.


Caros amigos, termina aqui o relato daquele segundo encontro e da conversa com o chefe regional da igreja, acrescento apenas alguns comentários que acho interessante para que os leitores possam melhor compreender o momento.
Tudo isto se passou com um jovem do interior deste país, logo, o que é sabido por todos, região onde o preconceito é mais acentuado e a dominação da igreja é ainda maior, um jovem que cresceu ouvindo do pai as maiores barbaridades sobre os, como ele dizia “viados”, tinha 17 anos de idade e, naquela época acreditava fielmente que a homossexualidade derivara de alguma mutação ou educação errônea.
Não se preocupem, rsrsrs, bastou um pouco de curiosidade e pesquisa um pouco mais refinada para descobrir que a história da homossexualidade data do surgimento da humanidade, há relatos no antigo Egito, a mais de 5 mil anos, na Grécia antigo, berço inclusive do direito tão idolatrado pela sociedade, e tudo se tornou uma desgraça (ausência de graça) com a ascensão do cristianismo no século III quando o mesmo passou a ser a religião oficial do império romano, (meus dedos não me permitem passar por trechos como este sem relatar sobre os massacres cometidos pelos cristãos nesta época contra os judeus e adoradores de outros deuses, como o ocorrido em Alexandria, uma das principais cidades egípcias, onde, um grupo de cristãos, liderado por, hoje conhecido como São Cirilo, santo e doutor da igreja católica, massacraram um grupo definido por eles como ateus, destruíram a famosa Biblioteca de Alexandria e, dentre os mortos, Hipátia, umas das mais brilhantes matemáticas e astrônomas da antiguidade, queimada viva, nua, em praça pública. É deste berço histórico que se origina tanto preconceito residente entre nossa sociedade hoje contra a mulher, o negro, os gays, e tantos outros grupos).
Beijos a todos e até a próxima.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Minha História Capítulo 01

Desde o dia em que criei este blog, o criei com apenas uma coisa em mente, contar um pouco de minha história, de minha vida, de tudo que passei para hoje, ser quem sou, não que tenho muita diferença da época, mas uma coisa mudou radicalmente, a forma como eu mesmo me vejo!
Cada postagem que eu fizer de hoje em diante, provavelmente terá o mesmo título, como se fosse um livro acrescentando capítulos.
Meu tempo é muito corrido, o divido entre trabalho, faculdade, inglês, música, cinema, praia, peço desculpas se o espaço entre uma postagem e outra se estender, farei o possível para não deixar o tempo se prolongar.
Adianto que cada capítulo não é apenas baseado em fatos reais, simplesmente é real, se necessário, farei um comentário antes de cada um, no entanto, após a primeira palavra do capítulo até a última, são apenas transcritas de meu caderno, escrito em 2003, quando tudo ocorreu alterando apenas os nomes dos personagens para nomes fictícios que manterei no decorrer do relato.
Bem, deixemos de papo e vamos ao que importa. Só para situar o leitor, um estado qualquer do Brasil, numa cidade qualquer, interiorana, num seminário, isso mesmo num seminário, e um seminarista gay, eu!
Minha História
Capítulo 01      Auto Revelação
18 de outubro de 2003
Aquele sábado a tarde, quanta agonia, foram semanas só tentando tomar coragem de marcar este horário, não dava mais pra suportar. Quando chegou o sábado, cada minuto parecia uma hora, a falta de controle, o medo, me fez sofrer mais antes que durante.
É chegada a hora. Três da tarde cheguei na casa da irmã, ela iria estar só, a outra tinha compromissos na paróquia. De inicio, conversamos um pouco sobre plantas, ela sabia que eu adorava plantas, mas na verdade, acho que tocou nesse assunto para me tirar do abismo em que me encontrava. Minhas mãos tremiam, suavam, não sabia para onde olhar, como começar, o que me salvou foi isso, de forma descontraída, conversamos sobre plantas ornamentais e seus poderes positivos que tanto nos influenciam, isso foi bom, muito bom, fez com que eu ficasse a vontade, bem, não a vontade literalmente, mas ao menos minhas mão não suavam mais.
Logo dei início ao assunto, disse que não consegui me aceitar como era por causa disso. Neste momento, entreguei-lhe uma folha que continha algumas explicações sobre a homossexualidade.
A conversa foi longa, havia muita dor, muita mágoa e ressentimento, muito medo, das pessoas, do mundo, do que eu poderia encontrar ao voltar o olhar para dentro de mim. Saí de lá, já eram 6:10 da noite, mais ou menos três horas de conversa, ou melhor, desabafo, jogando para fora tudo que havia sido reprimido por 18 anos. Eu estava aflito, branco, pálido, tremendo, sempre pensei, como já aconteceu várias vezes, que nunca aconteceria comigo, mas, mais uma vez aconteceu, e havia chegado a hora de eu mesmo encarar de frente o meu verdadeiro EU e parar de fingir que está tudo bem.
Quando terminou a conversa, eu estava calmo, já havia derramado todas as lágrimas possíveis e imagináveis, e depois de três horas, estava calmo, voltei para o seminário tranqüilo, feliz, descobri que as coisas não eram bem como eu pensava.
Descobri que a escolha era minha, ao longo do tempo eu adquiri tanta confiança dos superiores, especialmente do padre Pedro, que cabia a mim a decisão de continuar ou não no seminário.
Estava vencido o meu maior medo, contar que era homossexual, contar e ser mandado embora do seminário, afinal de contas, qual a diferença entre o homossexual e o heterossexual em relação ao sexo, se ambos terão de viver o celibato?
Voltei para casa super tranqüilo, não tinha mais a preocupação de esconder nada mais. Esta conversa mudou minha opinião em relação à própria Irmã Elisabete, por ser formada em psicologia, tinha medo de me aproximar para conversar com ela, tinha medo que ela descobrisse algo a meu respeito, porém, agora que contei tudo, que alivio, converso livremente com ela.
Lembro-me que durante a conversa, disse-me que durante a missa da quinta-feira a noite, num momento em que olhei para traz, não a vi, no entanto, ela me viu, disse-me que percebeu uma tristeza tão grande , tão profunda em meus olhos que havia ficado preocupada, nunca havia visto um sinal de tristeza tão grande e tão aparente. Neste dia, que tenho más recordações, foi um dia decisivo, pois na sexta-feira, marquei esta conversa.
Lembro-me também que me perguntou porque resolvi contar agora e arriscar todo o meu futuro, disse-lhe que não queria seguir para a filosofia com este peso, queria ser transparente, na verdade, também é por isso, mas há um outro motivo um tanto maior que ainda não contei, quero e preciso contar. Por causa da tração que sinto pelo Lucas (meu colega de seminário). Desde quando o vi pela primeira vez, encheu-me os olhos, achei-o lindo, atraente, e não imaginas que coroa de espinhos que era isso para mim, eu, homem, sentindo atração por meu amigo, por outro homem. Doía cada vez mais meu coração sempre que me deparava com a situação de sentir atração por alguém do mesmo sexo, não conseguia aceitar, a sociedade havia feito um bom trabalho e impor seus padrões sobre mim, mas é assim, eu sou assim, e não há como mudar.
O meu erro, foi que eu deixei a situação chegar num ponto onde eu mais não podia controlar. Sempre que íamos dormir, conversávamos muito antes, tornamo-nos o melhore amigo um do outro, ele confiou-me suas dificuldades, seus desejos, fatos de sua vida pessoal, coisas muito íntimas, chegou ao ponto em que eu fiquei sem defesa, é assim até hoje, diante dele, meu sistema de defesa é anulado, tudo o que ele me pergunta, eu não consigo fazer nada, simplesmente respondo com a maior sinceridade deste mundo.
Eu sou seu melhor amigo, ele tem grande consideração por mim, tudo com uma pureza muito bela de sua parte, mas eu não estava mais resistindo, eu estava e estou apaixonado, e isso eu não estava mais suportando, amá-lo em segredo. Este foi o principal motivo que me fez contar, não dava mais pra carregar esta cruz, não sozinho, eu precisava de ajuda.
Após a conversa, uma coisa havia ficado decidido, contar ao reitor padre Pedro o mais rápido possível e em seguida marcar outro horário com ela, e assim eu faria.

“Saudades e decepções” Minha Infância!

Da forma como relato estes acontecimentos, podem até estar penando que tudo em minha vida, ou ao menos em minha infância, tenho sido as mil maravilhas, mas não, muito pelo contrário, foi muito decepcionante, e hoje, olhando de fora, já um pouco mais maduro, vejo que não tive uma infância feliz a alegre como gostaria, mas isso não me impede de ter uma juventude arrasadora, mas sempre com juízo claro, afinal quero aproveitar muito tudo o que a vida tem a me oferecer.
Durante toda minha infância, sempre me senti meio rejeitado, na verdade, rejeitado e meio, afinal meu pai fazia questão de me lembrar toda semana que eu vim ao mundo de enxerido que sou, afinal não fui planejado, apenas meu irmão, mais velho que eu, sendo o primeiro filho, ia com ele para onde quer que ele fosse, e minha irmão, afinal, desde que soube da segunda gravidez de minha mãe, queria uma menina, afinal, já tinha um menino, ai o que aconteceu? Nasci, um menino, que veio sem ser convidado, mas tudo bem, meu irmão sempre saia com ele, minha irmã era toda bajulada, e eu…, bem deixa pra lá, minha mãe foi maravilhosa!
Minha infância basicamente foi ouvindo isso, que vim de enxerido, tinha que gostar de café (plantação de café, lavoura) e era comparado sempre com mulher, não pela aparência, não tenho nenhum traço feminino, no entanto sou apaixonado pela natureza, pelas plantas, adoro flores, suas cores, mas isso os incomodava muito, a meu pai e ao meu irmão, que assim como ele, pela convivência próxima, foi crescendo bem preconceituoso.
Sempre gostei muito de estudar e sou apaixonado também por livros, e isso me ensinou muito, principalmente lidar com vida, ser paciente e esperar para tomar as atitudes no momento certo, não sou desanimado, pelo contrário, sou decidido, insistente, persististe, corro na frete, não espero acontecer, faço acontecer, e graças a essas características, com paciência e tranqüilidade, claro, com muito sofrimento também, um dia fui obrigado a encarar a realidade e dizer para mim mesmo, acorda, tu és gay!
A cada momento que pensava nesta palavra, parecia ter uma tonelada sobre os ombros, pensava em tantas coisas maldosas e inescrupulosas, sabe, tudo aquilo que a sociedade quer que acreditemos que são os gays, e eu acreditava, acreditava que era doente, pervertido, pecador, devia ser inferior a todos, afinal isso estava em todos os lugares, nas novelas vergonhosas da globo, nas ruas, nas escolas, nos livros, enfim, até na bíblia, até descobrir que tudo pode ser manipulado, como é!
Me lembro bem que no início, apesar de alguns fatos como o da última postagem, que me davam muito prazer, apenas estar com alguém que compartilhasse dos mesmos sentimentos, ou ao menos parecidos, na maior parte do tempo eu ficava decepcionado e triste com a minha condição, pedindo a Deus em minhas orações para que ele retirasse todo aquele desejo de meu coração, que aquilo fosse apenas coisas da idade e que com o passar do tempo mudasse,que eu começasse a sentir atração por mulheres, mas olha, que coisa incrível, quanto mais eu rezava e pedia, mais homem lindo eu via na minha frente, que tentação.
Hoje, a realidade é bem diferente, mas tenho de trabalhar, isso já é assunto para outro dia, mil beijos, até a próxima.

Falando um pouco de Preconceito


Hoje foi um dia um tanto anormal para mim, sabe, as coisas estão evoluindo, afinal agora em meu novo estágio, posso cumprir apenas a metade da carga horária nos dias de prova, isso é muito bom, posso até dormir antes das duas da manhã, sabendo que terei um tempinho antes da prova, “não para estudar”, mas dar aquela última olhadela no conteúdo…
Bem, mas voltemos ao caso, devido a este benefício, cheguei cedo a faculdade e me dirigi ao centro de convivência, ou a cantina se preferir, é o mesmo local, para estudar nas horas restantes que faltavam até o momento da prova. Sim, sei que é estranho, devem estar se perguntado por que na cantina e não na biblioteca, no ar condicionado, é simples, por maior que seja a conversa paralela no centro, ainda assim é mais calmo e silencioso que a biblioteca, as vezes tenho até a impressão de estar num estádio assistindo a um campeonato.
O fato foi que, lá chegando, me deparei com um colega que lá estava naquele mesmo horário pelo mesmo motivo que eu, também beneficiado pelo estágio e também fugindo do caos da biblioteca. Fomos juntos e, enquanto tomava aquele café para despertar e abrir um pouco a mente para enfrentar o cálculo, começamos a conversar. Antes de detalhar nossa conversa, permita-me descrevê-lo.
Um jovem baixo, bem baixo, na verdade anão, é a melhor definição, e não estou brincando não, ele, em pé, sua cabeça fica na altura de minha cintura, e de cabeça  não grande, mas pelo seu tamanho, poderia ser um pouquinho menor, e inteligente, muito inteligente.
O fato foi que, entre nossa conversa, umas besteiras e outras, ele acabou me contando sobre um trabalho que fez no primeiro período da faculdade de ciência da computação na disciplina de sociologia, preparou um trabalho falando sobre o preconceito do mercado de trabalho e das empresas de uma forma generalizada em relação à diferença, simplesmente diferença, e confesso muito espanto no momento em que ele mencionou o preconceito que teve de vencer em várias entrevistas, apenas por não ter 1,80 de altura, inclusive na empresa onde trabalhava já a um ano e meio, onde seu chefe, na ocasião entrevistador, fez de tudo para ele desistir, mas ele, assim como eu, não desiste, mencionou suas habilidades, suas capacidades e, mediantes barreiras impostas, desse:
“Sou estudante, preciso deste trabalho para pagar minha faculdade e também para aprender, não importa o que você me proponha, eu vou aceitar, só preciso de uma chance pra mostrar meu potencial”.
Bem, nem preciso dizer que o entrevistador ficou sem palavras por algum tempo.
Sabe aqueles dias em que a gente aprende muito, pois é, este foi um deles, sempre fiquei focado no preconceito que enfrento todos os dias nos olhares, nas falas, nos gestos, e acabo não percebendo o tamanho do preconceito que afeta outras pessoas,  por  vezes ao meu lado, como neste caso que contei, já achava a “sociedade” estúpida, o que meu amigo e colega me contou apenas reforçou o que já sentia. O péssimo hábito que empresas e gerentes mal formados têm de tentar enquadrar todos em padrões predefinidos e formados por aquilo que eles julgam ser o perfil perfeito ou o que mais se aproxima do mesmo. Nem imaginam o potencial que ignoram ao tomar tal postura.

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